DIABETES vs, HC E GORDURAS
Durante o meu treino médico fui ensinado que uma dieta baixa em gordura e rica em hidratos de carbono (HC) complexos prevenia o excesso de peso e a doença. Durante anos acreditei piamente nos meus professores, mas a determinada altura comecei a questionar esta posição que me parecia incompatível com as ciências médicas básicas nomeadamente a bioquímica e a fisiologia. Passei a “pregar” uma nova filosofia de alimentação junto dos meus pacientes. Ao fim de cerca de 25 anos de exercer a profissão médica tinha a noção de não ter adiantado nada significativo na saúde dos doentes diabéticos, cuja progressão da doença era inexoravelmente má fizesse eu o que fosse. Era obvio que algo estava mal e que a medicação proposta pelas farmacêuticas não dava conta do recado, o que acabou por ser confirmado com um grande estudo na área da diabetes – o UKPDS. Fizesse-mos o que fosse a nível farmacológico que os desfechos eram os mesmos …! Teria de haver algo mais, e teria de assentar nos estilos de vida. A diabetes era considerada ser genética, o que se confirma apenas na predisposição à doença, ou seja, mesmo com esta predisposição é preciso ter os estilos de vida conducentes à expressão da dita cuja. Os pacientes são medicados com antidiabéticos orais e quando estes não dão conta do recado institui-se a insulina. O que os faz ganhar mais peso (gordura) pois a insulina é a hormona do armazenamento de gordura e mais gordura é igual a mais diabetes, e mais insulina, etc. A tensão arterial tende a subir, quer pelo aumento de peso e pela própria acção da insulina, quer pelo inevitável aumento do ácido úrico, e os pacientes são medicados com anti-hipertensores os quais muitas vezes geram mais diabetes – é o caso de alguns diuréticos. Após ter questionado a abordagem vigente era claro para mim que o problema contrariamente ao que nos é ensinado reside nos hidratos de carbono e na baixa ingestão proteica. Isto associado ao sedentarismo é a chama que provoca a ignição da propensão genética para a diabetes. Todos os HC são convertidos a açúcar mas uns são-no mais rapidamente do que outros – daí a noção de índice glicémico – e isso age diferentemente na produção de insulina. E o excesso de insulina é a marca padrão dos diabéticos tipo II. Então é necessário ingerir menos HC, de baixo índice glicémico e mais espaçadamente … fazendo cair por terra a noção de que o pão, a batata e outros HC complexos são o ideal para a nossa alimentação. Depois vinha a noção de oportunidade, isto é, o nosso organismo – nomeadamente as nossas células – não são um armazém de nutrientes – e devemos por isso espaçar suficientemente as nossas refeições. Três refeições diárias parece ser o suficiente, pois caso contrario estamos a fazer uma super produção de insulina, anulando a sua fase I o que é característico da diabetes.
Posteriormente veio a noção do exercício. Comemos para ter energia para gastar, se não a gastarmos não precisamos de comer, mas se ainda assim comemos, então obrigatoriamente armazenamos gordura sob a forma de trigliceridos e corremos para a diabetes. Tudo isto gera um círculo vicioso que normalmente termina em tragédia. Esqueçampois as teorias de comer pouco e várias vezes por dia pois apenas gera um aumento na produção de insulina; os HC complexos pois apenas é lógico ingerir os que tenham um baixo índice glicémico; a baixa ingestão proteica que pretensamente pode fazer mal aos rins, pois somos maioritariamente proteína e precisamos diariamente cerca de 1 a 2 gramas por quilo de peso corporal. Sem o exercício físico capaz de fazer gastar parte do que temos armazenado as células não abrem as portas a mais nutrientes – num esforço de se salvarem da loucura – e como tal não podemos melhorar da diabetes, nem do excesso de peso. Esqueçam as teorias segundo as quais a gordura engorda e que diabolizam as gorduras animais, que no entanto têm sido base da nossa alimentação durante milhões de anos. Esta teoria há 30 anos que prova … estar completamente errada. Esqueçam as gorduras polinsaturadas pois precisamos de pouca quantidade, e apenas nos seus recipientes naturais – as sementes e frutos. Tudo o resto é impróprio para o nosso consumo (excepção feita ao azeite). Como se chega a estas conclusões aparentemente contrárias à corrente médica vigente? Pensando (temos cérebro capaz disso), questionando diariamente os nossos conhecimentos e bebendo das ciências médicas básicas nomeadamente a bioquímica e a fisiologia.
