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Dr. Luís Romariz

Aumento da longevidade e rejuvenescimento

Dr. Luís Romariz

Aumento da longevidade e rejuvenescimento

Seg | 14.11.11

O AMBIENTE DA OBESIDADE

Dr. Luís Romariz

Milhares de pessoas são diariamente diagnosticadas com obesidade e diabetes tipo II. Há pouco mais do que um século, a proporção era menos do que uma pessoa em cem. Isto representa uma epidemia de proporções épicas!

Sempre que pensamos nisto vem-nos à ideia duas questões pelas quais as pessoas são culpadas:

  • Glutonaria
  • Preguiça

Fatalmente... errado! De facto, os obesos têm muito poucas culpas no cartório. As culpas vão para tendências culturais em modificação, publicidade agressiva, má politica de saúde e desconhecimento científico por parte dos profissionais de saúde. Ninguém quer ser gordo, embora nos sintamos culpados quando o somos. Ficamos imediatamente expostos à diabetes e sem saber o que podemos fazer individualmente para prevenir e tratar esta situação.

Há um ditado que diz que somos o que comemos. Infelizmente, isto não é completamente verdade uma vez que as calorias não são todas iguais, pois mesmo alimentos similares são metabolizados de maneira diferente com diferentes resultados. Há um factor alarmante que se tem vindo a alterar nos últimos trinta anos. O consumo de açúcar disparou de cerca de15 gramas diários antes da II guerra, para cerca de140 gramas na actualidade. Claro que são médias, ainda assim há quem ingira mais. Então alguns  consomem anualmente o seu próprio peso em açúcar, e ainda anseiam por mais...! E este açúcar extra é constituído fundamentalmente por sacarose ou frutose (xarope de milho). Os refrigerantes têm sido os maiores culpados deste açúcar, mas os sumos de fruta estão agora a querer tomar a dianteira. Com a loucura da “anti-gordura” tem-se substituído gordura por açúcar, não se percebendo que a gordura não faz nem engordar, nem doença cardiovascular, antes sim os açúcares. Este consumo exagerado de açúcar leva-nos ao s. metabólico que é a conjugação de diversos factores maléficos:

  • Cintura aumentada
  • Aumento desmesurado dos triglicerideos e diminuição do colesterol protector
  • Aumento da tensão arterial
  • Aumento do açúcar no sangue em jejum

Esta ideia de que a gordura faz mal vem da conclusão de um estudo há cerca de trinta anos, o “Seven Countries Study”, no qual o epidemiologista Ancel Keys se esqueceu de pesquisar o braço dos açúcares. Temos vivido assim numa dietocracia anti-gordura sem questionar o seguinte: se é a gordura que faz a obesidade e a doença cardiovascular, então como é possível que à medida que a retiramos da nossa alimentação – tudo é cada vez mais ligth –  cada vez haja mais obesidade e doença cardiovascular?

Vejamos o problema como ele deve ser visto. A glicose do açúcar (metade dele, pois a outra metade é frutose) é distribuída 80% pelas células do nosso corpo, sendo a maior parte do que resta acumulada sob a forma de glicogénio. Pouco, mesmo muito pouco sobra para ser transformado em gordura.

A outra face do problema é que 96% da frutose é levada ao fígado (único órgão com capacidade para a sua transformação) e obrigatoriamente transformada em gordura. Leram bem, GORDURA sob a forma de triglicerâdeos. Estes fazem aumentar o “mau” colesterol e depositam-se nas ancas, coxas, barriga, etc.

Pior, parte do processo de transformação produz excesso de ácido úrico e por conseguinte hipertensão arterial. Daqui à diabetes é apenas uma questão de tempo! Mas como tenho referido, o açúcar e o trigo são altamente viciantes pois contêm substâncias cerebralmente activas tipo droga. Assim, queremos sempre mais e mais, não nos dando conta que estamos a ser intoxicados da mesma forma que um toxicodependente está viciado em cocaína. Sabendo disto, as indústrias alimentare e farmacêutica esfregam as mãos pois uma adiciona açúcar e outros produtos viciantes, e a farmacêutica arranja os medicamentos que “tudo curam”. Dispara a produção de insulina, aumenta a lesão ateromatosa nas artérias – por aumento da oxidação do colesterol – e pomos em marcha o início do fim. E em nome do quê? Do lucro sem regras. Tenho conhecimento de que algumas escolas necessitam da sua percentagem do lucro das máquinas de venda automática para poderem fazer face a despesas como fotocópias, passeios científicos, etc., pergunto em que mundo é que vivemos?

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