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Dr. Luís Romariz

Aumento da longevidade e rejuvenescimento

Dr. Luís Romariz

Aumento da longevidade e rejuvenescimento

Dom | 12.06.11

SÓDIO, POTÁSSIO E MAGNÉSIO: OS TRÊS MOSQUETEIROS

Dr. Luís Romariz

O sódio (encontrado no sal de mesa) tem sido malignizado injustamente como o culpado da hipertensão arterial. Isto é um mal-entendido sobre como o corpo funciona. Não é o sódio só por si que causa os problemas relacionados com a tensão arterial, mas sim a relação do sódio com os minerais potássio e magnésio, e como eles regulam o nível de fluidos dentro e fora das nossas células, bem como no sangue. A hipertensão arterial é praticamente desconhecida em civilizações que comem alimentos integrais. Em civilizações industrializadas este equilíbrio foi alterado: tendemos a ingerir muito mais sódio do que potássio e magnésio. Os alimentos processados como os enlatados, molhos, pão, sopas, bolos e bolachas, contêm muito pouco potássio e magnésio, e grandes quantidades de sódio. Em contraste, os alimentos naturais tais como vegetais, frutos, cereais integrais (cuidado com a sua carga glicémica), sementes, frutos secos, ovos, carne, peixe e marisco, têm um rácio muito maior de potássio e magnésio em relação ao sódio. Só por mudarmos para alimentos integrais já baixamos a tensão arterial. Recomendo vivamente a suplementação com cerca de 500 mg de magnésio.

Medicamentos de prescrição comum são frequentemente uma causa escondida de HTA, nomeadamente os corticoesteroides, os anti-inflamatórios, os bifosfonatos (usados na osteoporose), os broncodilatadores, os medicamentos para a enxaqueca, os descongestionantes nasais, as benzodiazepinas (valium, xanax), muitos antidepressivos, e o excesso de estrogénios.

Claro que inequivocamente o stress provoca HTA, via produção de cortisol. Então porque não se resolve a situação tomando simplesmente um comprimido? Porque normalmente têm efeitos laterais sérios, sendo a disfunção eréctil o mais notório nos homens. Depois, há que esperar pelo efeito sinérgico da alimentação e do exercício com doses mínimas destes fármacos. É que nada acontece de um dia para o outro. E a tentação é prescrever mais anti-hipertensores, esquecendo o fenómeno de remodelling o qual acontece ao fim de 18 meses, ou seja, são precisos 18 meses para que o nosso corpo recupere os mecanismos de controlo sobre a tensão arterial pouco adiantando a panóplia de fármacos agressivamente receitados – ficando os valores tensionais muito bem na “fotografia” das médias. Por outro lado convém esclarecer que a tensão arterial muda constantemente consoante a nossa posição, nível de ansiedade, actividade, hora do dia, etc. e portanto é um disparate passar a vida a medir a TA e a querer que ela se adapte às nossas expectativas. Uma TA em repouso de 120/80 mm Hg é perfeitamente adequada, bastando medi-la quinzenalmente.