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Dr. Luís Romariz

Aumento da longevidade e rejuvenescimento

Dr. Luís Romariz

Aumento da longevidade e rejuvenescimento

Sab | 08.11.08

DOENÇA CRÓNICA

Dr. Luís Romariz

Nós humanos temos dois tipos de sistema imune:

  • inato
  • adaptativo

O sistema imune adaptativo é o mais sofisticado dos dois, e é o que mais inspira a pesquisa científica. É ele que está envolvido quando temos febre, uma reacção alérgica ou obtemos uma imunização. É o sistema que nos dá imunidade após termos a varicela. É a parte responsável pela memória imunológica e é programável, pelo que ao contactar com um invasor conhecido mobiliza forças especiais para o combater. Ou seja, não actua em face de uma ameaça desconhecida.

O sistema imune inato é algo de primitivo, que reage a qualquer ameaça de uma forma sempre igual. Ao invés do sistema adaptativo que necessita de tempo para identificar o invasor e lançar uma resposta, o sistema inato está sempre disponível e age imediatamente.  

Se estamos fora de uma sociedade medicalizada e queremos sobreviver, devemos preocupar-nos com duas coisas: infecção e trauma. Podemos apanhar um microrganismo agressivo ou ficarmos feridos. Ambos são capazes de nos matar. O sistema inato foi desenvolvido para dar resposta a ambos. A sua resposta é bem patente através dos sinais clássicos da inflamação: rubor, calor, tumor e dor. À medida que a situação se resolve o sistema apaga-se lentamente aguardando por nova ameaça.

O sistema inato é algo que precisamos para sobreviver, mas que não queremos que esteja permanentemente activado. O problema é que ele pode ser activado de forma crónica e quando o é, está montado o cenário da doença: aumento da coagulação do sangue, células inflamatórias e os seus mediadores a atacar as paredes das artérias, o fígado a tomar parte na resposta de fase aguda, etc. Por outras palavras, o retrato de alguém pronto para um ataque cardíaco.

Mas porque é que o sistema imune inato fica activado cronicamente em vez de entrar em acção apenas quando necessário. Porque temos uma ameaça que nunca tivemos, o excesso de alimentos. Comemos alimentos com que nunca contactamos no passado, óleos ómega-6 e hidratos de carbono baratos, e comemos de mais. Estes alimentos são capazes de através das hormonas que despoletam (insulina e eicosanoides pró-inflamatórios) e dos seus produtos finais de metabolização (AGE’s e ALE’s) alertar permanentemente o sistema imune inato. Este, ao contrário do normal persiste no tempo, pois a ameaça também persiste.

Desta forma o sistema permanece cronicamente activado. Quando comemos permanentemente e em excesso criamos gordura. Quando esta está a mais deposita-se nos órgãos internos e despoleta uma reacção imune através de substancias pró-inflamatórias que esta própria gordura fabrica. Está lançado o cenário para a inflamação crónica de baixo nível. Nas últimas décadas houve duas mudanças radicais na nossa alimentação – comemos mais e fazemo-lo mais vezes— abrindo o caminho à inflamação crónica.