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Dr. Luís Romariz

Aumento da longevidade e rejuvenescimento

Dr. Luís Romariz

Aumento da longevidade e rejuvenescimento

09.12.10

A SEGURANÇA DA POLÍTICA DE SAÚDE


Dr. Luís Romariz

O que é que a medicina convencional pode oferecer aos nossos doentes? Muito ou muito pouco! Infelizmente, oferece o pior de todos os mitos médicos – SEGURANÇA! Vejamos: os sistemas de saúde estão montados para a doença e isto é particularmente verdadeiro ao nível hospitalar. Recorre-se a um hospital – S.U. ou especialidades apenas quando temos um problema – e ao nível dos cuidados de saúde primários – medicina familiar – pouco se faz na realidade em termos de verdadeira medicina integrativa e prevenção de doenças. Os grandes marcos são os grupos de risco – hipertensos e diabéticos – mas o que fica por prevenir é a maior parte do problema. Todos nós temos a ideia que tendo umas análises, uma radiografia ao tórax e um electrocardiograma normais estamos finos e não precisamos de nos preocupar pelo menos durante um ano. Se tivermos HTA ou diabetes e tomarmos a medicação prescrita, mantendo os valores dentro do que o médico acha normal, não teremos nada com que nos preocupe. ERRADO!

De facto, o sistema pouco pode fazer por nós enquanto pessoas aparentemente saudáveis ou com patologias “controladas”. Continuamos a comer refeições com menos gordura, e cada vez temos mais doença cardiovascular e obesidade. Tomamos os medicamentos para a diabetes tipo II e controlamos a glicemia com picadas matinais mas o resultado final é infelizmente o mesmo conforme se demonstrou no estudo UKPDS. Fazemos a nossa medicação para a hipertensão arterial e reduzimos no consumo de sal, mas continuamos com elevadas taxas de AVC (trombose cerebral) e doença cardiovascular. Até continuamos a tomar as terríveis estatinas para baixar o maldito colesterol, mas continuamos a cair como tordos de doença cardiovascular. E que dizer da osteoporose, que após anos a tomar bifosfonatos, teima em progredir transformando os nossos ossos em papel. Então e as TAC’s, as mamografias e os exames de próstata? NADA. Uns emitem radiações capazes de por si só iniciarem uma malignização, enquanto outros têm imensos falsos negativos. Mas então não adianta ir ao médico e fazer um check-up anual? Abrangente como na medicina do trabalho? Na realidade adianta de muito pouco. Falsa segurança! O que deve ser mudado? A política de saúde, a começar pelo Ministério da saúde que de facto é um Ministério da doença. O grosso dos recursos é canalizado para a medicina curativa. Quanto se gasta em operações de cirurgia bariartrica (anti-obesidade)? Será esse o caminho, ou será a educação para a saúde e a proibição de venda de lixo alimentar? E a promoção da alimentação mediterrânica, ou do exercício físico (até aumenta o IVA para os ginásios)? Mas então em vez de se gastar dinheiro em publicidade governamental – sabe-se lá para quê – não era preferível gastá-lo para educar as pessoas? Quanto se gasta mensalmente com um doente diabético? Mais de 100 Euros! E adianta? Nada, pois o fundamental que é a dieta e o exercício fica de fora ou lembra-se de passagem. Entendamo-nos, as doenças são fruto de desequilíbrios e estes podem ser previstos e corrigidos – ómega-3 vs ómega-6; sódio vs potássio; cálcio vs magnésio; etc. – desde que encaremos os doentes como um todo apostando quase tudo na prevenção. Mas teremos que reaprender a procurar o que nos causa doença, planificando as acções e corrigindo os desequilíbrios, remetendo para o doente o fardo se responsabilizar pela sua saúde pois nós médicos nunca o conseguiremos fazer. Devemos ter o máximo de cuidado com as promessas e certezas da indústria farmacêutica. Esta é um negócio, e um negócio compadece-se com muito pouco infelizmente. Será? Basta lembrarmo-nos dos “médicos-fantasma” que fizeram imensos estudos a mostrar falsas virtudes de fármacos, e dos Vioxx, Avandia e outros recentemente proibidos e que eram êxitos de vendas! Infelizmente, os interesses são enormes, e os doentes são o que menos interessa. Tenho tentado nestes últimos anos fazer alguma pedagogia em relação ao que é mais saudável e em relação à maneira como nos poderemos manter jovens durante mais tempo. Mas estes conhecimentos têm de ser passados no seio da família, nas empresas e nas verdadeiras amizades. Já que os governantes não fazem educação para a saúde, façamo-lo nós. E aqui fica um sério aviso: as orientações para os cuidados de saúde primários visam a contenção dos gastos e a beleza das estatísticas. Perguntem aos MF que ingressaram nas USF´s! Não tenham receio de expor as vossas dúvidas pois enquanto puder irei responder a todas, tornando este espaço num palco de conhecimento bidireccional.

 

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