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Dr. Luís Romariz

Aumento da longevidade e rejuvenescimento

Dr. Luís Romariz

Aumento da longevidade e rejuvenescimento

Seg | 08.09.08

ENVELHECIMENTO: AUMENTO DA MASSA MUSCULAR

Dr. Luís Romariz

A aplicação de sobrecarga tensional progressiva é o principal estímulo para aumento da massa muscular. A tensão muscular tem um efeito catabólico imediato, devido à ativação de proteases miofibrilares do sarcoplasma. No repouso que se segue ao período de atividade, aumenta acentuadamente a síntese proteica, estimulada por mecanismos hormonais e celulares. Não havendo excesso de estímulo (over-training no desporto), e estando o organismo em situação metabólica e nutricional adequadas, ocorrerá a compensação, que vem a ser o aumento do volume muscular, conhecido como hipertrofia. Os exercícios resistidos induzem hipertrofia nos dois tipos básicos de fibras musculares que formam os músculos esqueléticos humanos: fibras brancas e fibras vermelhas. As fibras vermelhas também são identificadas em outras classificações como lentas, oxidativas ou do tipo I. As fibras brancas são conhecidas também como rápidas, glicolíticas ou do tipo II. Alguns grupos musculares humanos possuem predominância de fibras brancas, enquanto que outros apresentam maior quantidade de fibras vermelhas. Considerando-se os diversos grupos musculares em conjunto, verifica-se que existe variação inter-individual nas proporções entre fibras brancas e vermelhas. Algumas pessoas possuem predomínio de um tipo sobre o outro, o que as torna mais aptas para as atividades que dependem do tipo de fibra predominante. As fibras vermelhas são recrutadas isoladamente das brancas em atividades de baixa intensidade, quando a tensão muscular durante a contracção é pequena, e quando o metabolismo energético predominante é o aeróbio. As fibras brancas, com metabolismo predominante anaeróbio (sem oxigénio), são ativadas isoladamente nas atividades de velocidade pura. Nas tarefas de força e potência, normalmente utilizam-se as fibras vermelhas e brancas simultaneamente. No caso do treino com pesos, se fossem realizados exercícios com pequenas cargas, haveria ativação de poucas unidades motoras, todas formadas por fibras vermelhas. Cargas maiores como normalmente se utilizam, geralmente entre 70 e 90 % de 1RM para o treino desportivo, activam maior número de fibras, tanto brancas quanto vermelhas. Embora não ocorra interconversão entre os tipos básicos de fibras musculares em função do treino, a actividade física em geral, incluindo os esforços anaeróbios, estimula a transformação das fibras brancas II-B, glicolíticas, em fibras brancas II-A, glicolíticas e oxidativas, também conhecidas como fibras intermediárias.

Embora a hipertrofia seja o principal mecanismo de aumento do volume dos músculos esqueléticos, outros fenômenos também têm participação na massa muscular. A água intra-celular contribui muito para o volume dos músculos, com um porcentual em peso superior a 70%. O processo de hidratação das fibras musculares pode ser muito estimulado por exercícios, entre eles os resistidos. A quantidade de água intra-celular é proporcional aos depósitos de glicogênio, que atrai moléculas de água na proporção aproximada de um grama de glicogênio para quatro gramas de água. A concentração de glicogênio em músculos destreinados é cerca de 1,5%, e pode triplicar com o treino adequado. Exercícios resistidos que utilizam poucos movimentos, como o treino desportivo para força com repetições entre uma e cinco, apresentam um metabolismo energético predominantemente anaeróbio aláctico, dependente da utilização de fosfocreatina como substrato metabólico. Exercícios com repetições mais altas são mais dependentes da glicólise anaeróbia, o que leva ao consumo maior das reservas de glicogênio. No repouso que se segue à sessão de treino, o organismo repõe o glicogênio utilizado na atividade, com tendência à supercompensação, que resulta em aumento das reservas à níveis de até 4,5%. Com o aumento das reservas de glicogênio, aumenta proporcionalmente a quantidade de água intra-celular. Os músculos tornam-se maiores e mais pesados, com maior consistência ao tacto, o que habitualmente é referido como “tonificação”. A compreensão de que o aumento de consistência à palpação do músculo treinado não de deve à hipertonia é importante, para que contra-indicações ao treino resistido não sejam imaginadas, como é o caso das doenças hipertónicas em geral.
Outro fenômeno adaptativo induzido pelo treino e que contribui para o aumento de volume muscular é de natureza extra-celular e consiste na maior vascularização dos músculos treinados. No caso dos exercícios resistidos, novamente o treinamento de força esportivo com poucas repetições produz pouca vascularização, porque as quantidades de ácido láctico produzidas são pequenas. Sendo a acidose local um potente indutor de vascularização muscular, apenas os exercícios com maior número de repetições e portanto mais dependentes da glicólise anaeróbia produzem aumento importante da rede vascular.
Tanto a saturação de glicogênio e água dos músculos esqueléticos quanto a sua maior vascularização, são fenômenos dependentes da produção aumentada de energia durante os exercícios. Essa maior produção energética pode ser considerada uma forma de sobrecarga metabólica, própria da atividade física. Assim sendo, podemos conceituar que a hipertrofia dos músculos esqueléticos é estimulada pela sobrecarga tensional, e que a ocorrência de maior hidratação e vascularização dependem de sobrecarga metabólica adequada.

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