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Dr. Luís Romariz

Aumento da longevidade e rejuvenescimento

Dr. Luís Romariz

Aumento da longevidade e rejuvenescimento

Qui | 12.07.12

AINDA O COLESTEROL...

Dr. Luís Romariz

O colesterol não é um veneno fatal, antes una substância vital às células de todos os mamíferos, onde funciona como “á prova de água” nas paredes celulares. De facto, sem este requisito, a separação dos meios interno e externo das células, não poderia existir vida. O colesterol é uma molécula peculiar. É frequentemente classificado como gordura, contudo, quimicamente é um álcool. O bom e o mau colesterol, bem como o “assim, assim” são coisas que não existem, mas o stress, a actividade física vs o sedentarismo, e as alterações no peso corporal podem influenciar os níveis de colesterol sanguíneo. Um nível elevado de colesterol não é perigoso por si só, mas pode reflectir um estado doentio, no qual pode ser completamente inocente.

 Diz-se que níveis elevados de colesterol promovem a aterosclerose e consequentemente a doença coronária. Mas muitos estudos médicos demonstraram que as pessoas com baixos níveis de colesterol apresentam aterosclerose tal como os que o têm alto. Um dos factos mais surpreendentes acerca do colesterol é que não há uma relação entre os seus níveis sanguíneos e a aterosclerose nas artérias.

 O nosso organismo produz colesterol três ou quarto vezes mais do que o ingere. A sua produção interna aumenta quando ingerimos pouco colesterol e baixa quando ingerimos muito. Isto explica porque uma “dieta prudente” não baixa o colesterol para além da média (0 a4% apenas). Não adianta portanto prescrever dietas restritivas com limitação na ingestão de marisco, ovos, etc. pois estas fontes representam apenas cerca de 17% do colesterol total.

 Não há evidência científica de que a ingestão de gordura animal e colesterol promovam a aterosclerose. Por exemplo, mais de vinte estudos médicos mostram que pessoas que sofreram um ataque cardíaco não ingeriam mais desta substancias do que a população em geral, e que o grau de aterosclerose na autópsia não se relacionava com a dieta.

 A única via eficaz para diminuir o colesterol é através de medicação, mas nem a mortalidade cardíaca ou a mortalidade em geral decresceram com a utilização destes fármacos. Pelo contrário, estes fármacos – as estatinas – são muito perigosos para a nossa saúde e podem encurtar a nossa longevidade. Embora pareçam prevenir a doença coronária, este efeito não se observa à custa do colesterol, mas sim das propriedades anti-inflamatórias das estatinas. No entanto, estes medicamentos atacam o músculo cardíaco que deviam proteger, bem com os restantes músculos do nosso corpo.

Estes factos têm aparecido em revistas cientificam e em estudos, mas são completamente ignorados e escamoteados pela pressão dos vários interesses! Mesmo as intervenções esclarecidas de muitos professores de medicina de vários países, EUA incluídos, bem como alguns proeminentes cirurgiões cardiovasculares, têm sido ignoradas.

Há muitos benefícios em ter bons níveis de colesterol, nomeadamente um aumento na longevidade, uma diminuição na morte prematura por causas em geral, maior resistência às infecções, e menos alergias.

Concluindo, o colesterol e as gorduras animais saturadas são fulcrais para a nossa boa saúde ao contrário do que é propagandeado, e o único problema das partículas chamadas de “colesterol” reside sua oxidação nos interstícios do revestimento das artérias -  o endotélio.  Ora isto só acontece quando o tal “mau” colesterol está carregado de triglicéridos, o que gera partículas pequenas e densas que são aterogénicas. Os triglicéridos são fruto da ingestão aumentada de hidratos de carbono de elevado índice glicemico – pão, batata, açúcar, bolos, refrigerantes – e à oxidação destas partículas que gera inflamação arterial juntam-se vários eventos negativos como a calcificação anormal nas artérias por insuficiênciaem vitaminas De K2.

 

 

Ter | 10.07.12

MITOS DAS GORDURAS

Dr. Luís Romariz

A corrente médica vigente e as autoridades da saúde advogam que as gorduras saturadas, nomeadamente as de origem animal, são prejudiciais para a nossa saúde e causam doença cardiovascular. De acordo com a hipótese lipídica – o termo usado para a ideia de que gordura e colesterol são a causa da actual epidemia doença cardiovascular – as gorduras saturadas fazem subir o colesterol, e este deposita-se nas artérias obstruindo-as, ao que se chama aterosclerose arterial. Os animais e as plantas tropicais – óleo de palma e de coco - são ricos em gorduras saturadas, enquanto as plantas dos climas frios são ricas em insaturados. A indústria alimentar fabrica margarinas, ou seja, gorduras hidrogenadas ou trans, Injectando átomos de hidrogénio nos óleos vegetais polinsaturados. Estas como são perenes servem às mil maravilhas à indústria alimentar. São bolos e outros produtos cujo prazo de validade é quase eterno, à custa da nossa saúde. Há um século menos de 2% das pessoas eram obesas e a doença cardiovascular era praticamente desconhecida. Predominavam a pneumonia, a tuberculose, e a enterite como causas major de morte. Para uma população que mal é o dobro, o número de cardiologistas aumentou sessenta vezes desde a década de 50! Em 1911 com a comercialização de Crisco – derivado do óleo de semente de algodão – iniciou-se nos EUA a era das margarinas. Foi usado para o fabrico de velas e sabões, mas com a electrificação crescente e o consequente declínio na venda de velas, foi decidido publicita-la para consumo em salsicharia e como substituto da banha e da manteiga. A companhia diabolizou estas gorduras animais e foi bem sucedida, ao ponto de pensarmos que a margarina é que era saudável, pois sustentadamente substitui as gorduras animais tradicionais. Em 1913 fisiologistas russos alimentaram coelhos com dietas ricas em colesterol e obtiveram aterosclerose e morte por doença cardiovascular, e nas décadas seguintes vários foram os estudos que verificaram estes achados. Estava instalada a hipótese lipídica para a doença cardiovascular. Em 1948 iniciou-se o Framingham Heart Study – com 5000 homens e mulheres – e que é o ex-líbris dos estudos sobre o coração. Decorridos seis anos a Associação Cardíaca Americana começou a aconselhar a “dieta prudente” na qual a margarina, os óleos vegetais e o frango deviam substituir a banha, a manteiga, o bife e os ovos. Em 1953, Ancel Keys – o pai das rações militares K americanas – publicou um estudo em que implicava as calorias oriundas das gorduras nas mortes do coração. Para encurtar a história, este estudo completamente enviesado e mal conduzido – sabemos isto já há alguns anos – ainda é o pai da actual histeria da dieta light em que predomina pouca gordura – margarina ou óleos vegetais – e muito hidrato de carbono (sim, tem de se vender qualquer coisa). Aderindo a este dogma foram publicadas, primeiro a roda e depois a pirâmide alimentar. Em ambas a base da alimentação está atribuída aos cereais. Atentemos nas evidências contra a hipótese lipídica. As plantas não contêm colesterol, sendo os animais a única fonte deste álcool. Alimentar coelhos, que são herbívoros, a colesterol é um contra-senso pois não estão “desenhados” para os ingerir e não será pois surpreendente que quando alimentados com derivados animais apresentem doença cardiovascular; Por outro lado providenciar altas doses de gordura e colesterol a animais omnívoros como os ratos, cães e humanos, não produz lesões de aterosclerose. O estudo que ainda “manda” ignorou intencionalmente os dados de 16 países (foi efectuado apenas com os dados viciados de 6 países) e ignorou que aumentando a ingestão de calorias a partir das gorduras diminuía o número de mortes por doença coronária. As populações mundiais com menor risco de doença cardiovascular – Massai, Inuit, Rendille, Toledau, ingerem calorias provenientes de gordura animal até 75%, e vivem bem sem cardiologistas! A gordura no leite materno humano – gordura animal evidentemente – é da ordem dos 54% saturada. A dieta Paleolítica, alvo de um estudo publicado na revista médica American Journal of Clinical Nutrition, é a análise – 229 populações de caçadores/recoletores em pleno século 20 – mais abrangente dos hábitos de consumo gravados nos nossos genes e um marco na compreensão daquilo para que estamos formatados a comer. Comiam virtualmente toda a gordura dos animais que caçavam, incluindo órgãos, língua, medula óssea e miolos; como não eram agricultores não comiam milho, arroz ou trigo. Como hidratos de carbono apenas ingeriam sementes, frutos secos, tubérculos e bolbos e frutos. A Era paleolítica ou idade da pedra durou 2.5 milhões de anos e acabou com os nossos ancestrais Homo sapiens há cerca de 200.000 anos; a era da agricultura iniciou-se há 10.000 anos e desde então através de 500 gerações foi aumentando o consumo de HC. No inicio da Revolução Industrial há 250 anos, o consumo de açúcar era um quinto do que é actualmente, Nos nossos dias ingerimos uma enorme quantidade de HC há custa de cereais, lacticínios, refrigerantes, açúcar refinado e doces, conjuntamente com óleos vegetais processados, nutrientes estes que não existiram durante 99.9% da nossa existência. Durante estes 99.9% o genoma humano evoluiu adaptado a uma dieta rica em gordura animal e poucos HC. O oposto (pouca gordura e muitos HC) esta matar-nos, literalmente. Mas e o tal estudo de Framingham? Ainda continua hoje em dia, e já em 1992 o director do estudo, Dr. Wiliam Castelli declarava no JAMA que em Framingham quanto mais gordura animal se ingeria mais saudável, menor era o peso corporal, mais activo, e menos doença cardiovascular. Mais, após os 50 anos não se verificava qualquer acréscimo na mortalidade associada aos níveis de colesterol, fossem eles elevados ou baixos. E pior, a cada decréscimo de 1% no colesterol correspondia um aumento de 11% na mortalidade em geral durante os 18 anos seguintes. Muitos médicos não ouviram falar disto porque organizações médicas, nomeadamente a Associação Americana do Coração, governo e outras agências de saúde, bem como a indústria farmacêutica o ignoraram. Afinal, havia as estatinas (medicamentos contra o colesterol) para vender! A gordura saturada, razão pela qual 54% do leite materno é formado por ela, é necessária à impermeabilização das membranas celulares, e o coração prefere-a como combustível; os ossos necessitam dela para assimilar o cálcio, e elas protegem o fígado dos efeitos adversos do álcool e doutros tóxicos. A surfactante pulmonar, que nos permite respirar, é composta por gordura saturada (ácido palmítico). As gorduras saturadas funcionam como sinalizadores bioquímicos na produção de hormonas. Também desempenham um papel fulcral na imunidade, nomeadamente os ácidos laurico e miristico (encontra-se na manteiga) matam fungos e bactérias. Os ácidos gordos saturados sinalizam a saciedade permitindo ficarmos magros. Aponto aoenas alguns estudos significativos e mais modernos:

Insuficiente evidência da associação entre ingestão de … ácidos gordos saturados ou polinsaturados; gordura total … carne, ovos e leite, Mente A, et al. Revisão sistemática da evidência que suporta a associação entre factores dietéticos e doença coronária. Arquivos de Medicina Interna. Arch Intern Med. 2009 Apr 13;169(7):659-69.

Não houve efeitos significativos das alterações das gorduras alimentares na mortalidade total ou cardiovascular …

·        Hooper L, et al.Dieta com alteração ou redução de gordura na prevenção da doença cardiovascular  Cochrane Database Syst Rev. 2011 Jul 6;(7):CD002137.

…sem evidência significativa para poder concluir que a a ingestão de gordura saturada está associada com um aumento do risco de doença cardiovascular.

·        Siri-Tarino PW, et al. Meta-análise de coorte de estudos prospectivos avaliando a associação entre gordura saturada e doença cardiovascular. Am J Clin Nutr. 2010 Mar;91(3):535-46.

Concluindo, vivemos numa dietocracia anti-gordura animal a qual se fundamenta em estudos falseados de há 30 anos e que só a ignorância e a sede de lucro permite que se mantenha á custa da nossa saúde.


Dom | 08.07.12

FAÇA DO EXERCÍCIO UMA FESTA

Dr. Luís Romariz

Tem dificuldade em se levantar cedo para fazer jogging? Prefere dormitar no sofá em vez de dar um paseio pelo parque ou andar na passadeira rolante? A diferença entre puxar os cobertores para a cabeça e levantar para fazer exercício está na diversão. Quando fazemos algo que nos dá gozo esquecemo-nos que estamos a fazer exercício ao contrário dos treinos rotineiros. Claro que todos sabemos que 30 minutos diários de jogging é um objectivo a alcançar, e que a actividade física é a melhor maneira de apagar o stress, aumentar a memória, e afastar a doença cardiovascular, o AVC e o cancro para não falar da impotência masculina (sim, é uma das maneiras de melhorar …) e do aparecimento de rugas nas mulheres. Mas até há quem prefira jogar ténis ou andar de bicicleta a fazer uma caminhada. E também estão certos! Há lugar para todos os exercícios – diversificar é a chave -  sendo a palavra de ordem PRAZER! Se ainda não arranjou uma actividade tão divertida como o sexo, continue à procura. O skate, aulas de Zumba, o parkour ou todos eles podem ser muito gratificantes. Ensine os seus filhos a saltar à corda pois é um bom exercício e pode ser divertido. Tente:

·Tenha um horário firme para treinar

·Arranje companhia fixe para os exercícios

·Junte gozo ao exercício

·Monitorize os progressos

  Recompense-se. Arranje um objectivo (como por exemplo, fazer 12 km por semana) e coma uma sobremesa favorita ou obtenha uma massagem.

 

De facto, o exercício físico em regime de treino intervalado – 3 minutos de marcha vigorosa intervalada por 30 segundos de corrida, isto durante meia hora – é o melhor para o nosso sistema cardiovascular e para os pulmões. Ajuda a afstar a doença de Alzheimer, a diabetes, a disfunção eréctil, o AVC e outros achaques vasculares.

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Dom | 08.07.12

Cara leitora

Dr. Luís Romariz

Caro Doutor Luis Romariz,

Sei que o meu problema não se insere nos problemas relacionados com a idade, pois ainda sou nova (28 anos). No entanto, e após algum desespero em consultas constantes, venho desta forma pedir-lhe a sua opinião.Queixo-me há muito tempo de cansaço físico e mental. Noto frequentemente, pessoas mais velhas do que eu terem mais ânimo e força do que eu. Tenho consultado vários médicos para este problema que me dizem que estou com uma depressão. Mas os mais variados medicamentos que já tomei nunca melhoraram os meus sintomas. Agora fiz análises de sangue que acusaram uma "anemia peniciosa e megaloblástica elevada (2/3 dos casos)". A médica receitou-me apenas uns comprimidos de ácido fólico. Mas mesmo tomando este medicamento sinto-me cada vez mais cansada, com muito sono, e muita dificuldade de concentração no trabalho. Eis que surge a minha questão:

 - Será o suplemento de ácido fólico suficiente para curar este problema? Eu não fiz nenhum outro exame além do hemograma.

 - Recomenda-me algum suplemento que me dê mais energia?

 - São normais estes sintomas e com o ácido fólico passarão?

 - Aconselha-me mostrar as minhas análises de sangue a outro médico para pedir uma segunda avaliação?

Desde já, agradeço toda a atenção que o meu e-mail possa receber.

Com os melhores cumprimentos,

A.    Silva

Cara leitora

O síndroma asténico é multifactorial, pelo que a aconselho a obter uma perfil analítico alargado, sugerindo:

·       Hemograma, leucograma e plaquetas. PCR de alta sensibilidade

·       Lipidograma, ferro e ferritina. TGO, TGP e f.alcalina. Colinesterases.

·       Vitamina B12, ácido fólico e vitamina D (25 OH vitamina D)

·       Glicemia, insulinemia e Hb A1c

·       Teste de determinação urinária de Iodo

·       Ureia, creatinina e ácido úrico

·       TSH, T3 livre e T4 livre

·       Estradiol, progesterona, DHEA, testosterona livre e cortisol

·       Estudo de anticorpos para mononucleose

·       Ecografia tiroide e baço (abdominal)


Um teste de intolerância alimentar A200 pode ser extremamente útil no estudo da astenia. Ainda assim, falta saber como se levanta de manhã, ou seja, se quase se arrasta para fora da cama, se quando põe os pés no chão tem dores articulares, etc. Se a astenia melhora espontâneamente durante ao tarde…Quando tudo isso começou … Se foi após alguma virose ou outra patologia ou evento psicológico traumático. Estou à sua disposição para lhe apreciar os resultados dos exames propostos e dar-lhe uma orientação.

Qui | 05.07.12

A FADIGA PODE TER MÚLTIPLAS CAUSAS

Dr. Luís Romariz

Muitas vezes sentirmo-nos cansados e em baixo pode ter a ver com mais do que dormer mal. Pode ser fadiga, mesmo! As terapias para a hipertensão, bem como medicações e alcool podem causar fadiga. A diminuição da testosterona nos homens, ou das hormonas femininas nas mulheres, o strees emocional, más escolhas alimentares (açúcares), falta de exercício, alterações do sono e sinusite crónica também podem ser a raíz do problema. A maioria das doenças que causam fadiga são do foro cardio-respiratório, endocrinológico, reumático, fibromiálgico, víral crónico ou depressivo.Para as pessoas que sofrem destas patologias pode ser difícil escapar ao cansaço. No entanto há maneiras de minorar:

•  Sono regular de cerca 8 horas 

•  Alimentação saudável 

•  Exercício regular 

•  Técnicas de relaxamento como o Ioga ou a meditação 

•  Polivitamínico/antioxidante 

Os horários podem ser dificeis de cumprir e cada um tem de se lembrar das suas limitações, pois não podemos estar e fazer tudo ao mesmo tempo. Devemos ter espectativas razoáveis e fazer intervalos mesmo que tão curtos como cinco minutos. Cuidado com a nicotina e também com a cafeína caso seja intolerante. Frequentemente, a fadiga é causada pom um declínio nos níveis da hormona DHEA e nos níveis de vitamina D e B12, pelo que é aconselhável proceder aos seus doseamentos duas a três vezes por ano. No caso concreto da fibromialgia, é preciso que a sensibilidade aumentada à dor não tome conta da nossa vida! Esta é uma condição que se inicia frequentemente após episódio de stress físico ou emocional. Devemos pesquisar se não há episódios de apneia do sono, que sendo frequente arrasa com a nossa saúde. Classicamente é preciso encontrar 18 pontos de sensibilidade aumentada à dor de pressão, bem como uma história clínica e exeme físico compatíveis. A única abordagem séria destas patologias é a holística, isto é, apreciar o doente como um todo.

Ter | 03.07.12

A ENXAQUECA AFECTA MAIS DE 100 MILHÕES

Dr. Luís Romariz

Imagine ter uma dor de cabela terrível, talvez tão má que se sinta nauseado e até vomite, e fique incapaz de suportar qualquer ruído ou luz por mais ligeiros que sejam. Agora imagine isto regularmente anos a fio! Isto acontece a milhões de pessoas em todo o mundo, não poupando crianças. Tipicamente duram cerca de quatro horas e podem ser completamente incapacitantes. Diferem das cefaleias de tensão as quais são menos severas e atingem os músculos do pescoço, bem como das dorsd nde cabeça da sinusite que se acompanham de dores nas narinas embora possam ter origem nos seios perinasais.O que causa a enxaqueca? É uma miscelânea de acontecimentos que varia de pessoa para pessoa: frio, alimentos como o queijo ou chocolate, ruído, aromas fortes, etc. Há uma clara predisposição genética para uma maior sensibilidade. O cérebro responde com uma tempestade de químicos os quais irritam e inflamam as terminações neuronais e ops vasos sanguíneos cerebrais, resulltando em dor. O stress, a privação de sono, o ciclo menstrual, vinho, cafeína e aditivos alimentares podem despoletar uma crise de enxaqueca. Há vários tratamentos podendo ir desde os anti-inflamatórios como a aspirina até aos medicamentos betabloqueantes e eventualmente o Botox. O magnésio estabiliza a musculatura dos vasos melhorando a sua alteração subadjacente. Cada caso é um caso, e infelizmente há pacientes nos quais nada resulta. Aconselho vivamente os meus pacientes com enxaqueca recorrente a fazer um teste de intolerância alimentar A200.

Ter | 03.07.12

CUIDADO COM OS ANTI-ÁCIDOS

Dr. Luís Romariz

O uso a longo termo dos inibidores da bomba de protões – omeprazol, Nexium, pantoprazol, etc. – na azia ou dor de estômago crónicas pode ter consequências graves, nomeadamente anemias. Na verdade, estes fármacos dificultam a absorção de nutrientes críticos para o nosso bem-estar nomeadamente o ferro, a vitamina B12, o magnésio e o cálcio. Estes medicamentos estão associados ao risco de fracturas ósseas quando usados por de forma crónica, bem como a infecções pela bactéria Clostridium difficile a qual pode ser particularmente perigosa para as pessoas seniores. Sendo certo que estes fármacos são úteis em alguns casos, a sua dependência conduz ao aparecimento das condições anteriormente mencionadas. Ao inibir a produção de ácido clorídrico pelas células parietais do estômago estes medicamentos são responsáveis por uma autentica epidemia de insuficiência em vitamina B12 nos idosos, grupo etário no qual em virtude da necessidade de medicação anti-inflamatória se associa frequentemente os inibidores como prevenção de efeitos secundários gástricos. O ácido do estômago é necessário para quebrar nutrientes e permitir a sua absorção, bem como para o bom funcionamento do pâncreas e da vesícula. Assim, o uso dos inibidores da bomba de protões deve cingir-se a pouco tempo sendo preferível tomar on demand.

Ter | 03.07.12

DHEA BAIXA AUMENTA RISCO CARDIOVASCULAR

Dr. Luís Romariz

No 94º encontro anual da Sociedade de Endocrinologia Americana, em Junho, foi comunicado o efeito protector de elevados níveis de DHEA – precursor das hormonas estradiol e testosterona – em relação ao risco de doença cardiovascular nos homens. Foram analisados 2416 homens com idades entre 69 e 81 anos com fracturas por osteoporoses e colhidas amostras de sangue para determinação da DHEA. Durante  cinco anos foram documentados 485 casos de eventos cardiovasculares e verificou-se que ter altos níveis de DHEA estava associado a um menor risco de doença cardiovascular e um risco 41% menor de sofrer um AVC (trombose cerebral). Assim, reconhece-se o valor preditivo dos níveis desta hormona e recomenda-se mais estudos.

Dom | 01.07.12

ASTAXANTINA E ALZHEIMER

Dr. Luís Romariz

Mundialmente, alguém desenvolve Alzheimer a cada 30 segundos, e este ritmo vai acelerar por volta do ano de 2050. Esta doença que apresenta proporções epidémicas e parece vir a ser mais omnipresente do que a diabetes ou a obesidade, é devastadora e desenvolve-se lentamente e piorando com o passar do tempo. Mas o pior de tudo é não haver cura e os tratamentos serem escassos, o que põe a carga toda na prevenção. A doença desenvolve-se ao longo de algumas décadas, pelo que a melhor altura para iniciar a sua prevenção foi ontem! A abordagem baseia-se em estilos de vida saudáveis, nomeadamente em relação à ingestão dos hidratos de carbono – Alzheimer é considerada  3ª forma de diabetes. Alguns suplementos têm impacto positivo no desenvolvimento desta patologia, destacando-se a astaxantina –poderoso antioxidante – que é o pigmento que dá a cor ao salmão e aos flamingos. As moléculas de astaxantina – que penetram no cérebro com alguma facilidade – neutralizam os radiucais livres e outros oxidantes sem se tornarem elas próprias oxidantes, o que acontece com alguns antioxidantes como a vitamina C. Ela tem uma potência antioxidante centenas de vezes superior do que a vitamina E e o beta-caroteno no que toca a neutralizar o oxigénio simples (um dos piores oxidantes). O sucesso clínico da astaxantina vai para lá da sua enorme capacidade antioxidante e anti-inflamatória, demonstrando potencialidades para abrandar declínio cerebral associado ao envelhecimento. Um artigo publicado no British Journal of Nutrition mostra que 6 a 12 mg de astaxantina dia durante 12 semanas baixa os níveis dos fosfolipidos cerebrais oxidados em 40 e 50% respectivamente. É pouco provavel que consigamos ingerir estas quantidades através da alimentação (salmão, marisco e pouco mais) mas a suplementação é fácil e pouco dispendiosa. Os problemas de memória da doença de Alzheimer não são parte do envelhecimento, mas sim de uma demência grave. Dentro dos alimentos capazes de nos acelerar esta demência encontramos a frutose (mais do que 15 gramas por dia), o alumínio e o mercúrio, bem como muitas outras toxinas ambientais. O controlo do açúcar é fundamental na prevenção desta doença, bem como o control dos níveis da vitamina D e complexo B (folato, B6 e B12) – para impedir a formação da homocisteína que lesa as artérias – especialmente B12. A ingestão dos óleos ómega-3 nomeadamente o DHA associada ao exercício tem capacidade para activar as células-mãe cerbrais, bem como as conexões entre os neurónios. Devemos ter cuidados com a utilização abusiva dos telemóveis e devemos promover um aumento de fluxo sanguíneo cerebral (eu faço-o com vimpocetina 2 comprimidos dia). Finalmente, o exercício físico e mental (tocar um instrumento, palavras cruzadas, etc) são benéficos na prevenção da doença de Alzheimer.

 

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