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Dr. Luís Romariz

Aumento da longevidade e rejuvenescimento

Dr. Luís Romariz

Aumento da longevidade e rejuvenescimento

Dom | 02.05.10

GORDURAS INTELIGENTES

Dr. Luís Romariz

A importância dos ácidos gordos essenciais na saúde cerebral, particularmente as variedades mais longas em átomos de carbono conhecidas como ómega-6 e ómega-3, é por demais conhecida. O nosso sistema nervoso tem sido alvo de um ataque sistemático desde a embriogénese, não só através da ingestão de gordura animal não-bilógica, mas principalmente através da falta de EPA (ómega-3) e de DHA (ómega-3) fruto de uma política alimentar profundamente errada que favorece os óleos vegetais.

O que aconteceu é que abandonámos as gorduras animais a favor dos óleos vegetais e dos alimentos industrialmente processados. Isto também é fruto da alimentação animal artificial que contem menos quantidades de ómega-6 e muito menores de ómega-3, num desequilíbrio que chega nalguns casos aos 20:1 – idealmente 2:1. A ideia prevalente, profundamente errada, de alimentos pouco gordos também em nada contribui para a necessidade cerebral de gorduras saudáveis. Por outro lado o consumo de açúcares aumentou em 250%, bem como também aumentou o consumo de margarinas (gorduras trans) em 2500% - estas alteram profundamente a composição celular em ácidos gordos. A diabolização das carnes e dos ovos por causa do seu conteúdo em AA – ácido araquidónico – esquecendo os equilíbrios naturais, lança a confusão sobre as reais necessidades do nosso organismo. O que nós precisamos é de diversidade e de equilíbrio. Carne, ovos, sementes e alimentos ricos em DHA – e um pouco em EPA – são o fundamental para um cérebro em pleno funcionamento. Neste, o importante são as conexões entre os neurónios, e para que estas aconteçam são imprescindíveis o AA e o DHA. São estas conexões interneuronais que fixam as recordações e o pensamento. A maior necessidade de concentração de DHA encontra-se:

  • Nas sinapses, onde os nervos se encontram e mantêm a comunicação
  • Nos fotoreceptores, caso da retina a qual capta a estimulação luminosa
  • Nas mitocôndrias, estruturas celulares onde se faz a produção de energia
  • No córtex cerebral, especialmente na sua camada mais externa

Sempre que o cérebro não obtêm os nutrientes apropriados efectua menos conexões, e as que efectua são feitas com materiais de 2ª – isto é, com os ácidos gordos cuja estrutura mais se aproxima da dos originais. Como curiosidade poderemos questionar: sendo o cérebro maioritariamente composto por gordura, poderá ficar rançoso? À primeira vista pode parecer uma questão ridícula, mas se a virmos de forma mais pormenorizada teremos de a levar muito a sério. Virtualmente qualquer coisa composta por ácidos gordos polinsaturados pode ficar râncida. Mas na realidade o que significa râncido? Significa a alteração da estrutura e função através da oxidação. Ora se há uma alteração tão profunda, então o nosso cérebro irá ficar inexoravelmente comprometido, Assim, se quisermos ter um cérebro eficaz, para além da ingestão abundante de DHA devemos pugnar por ter boas defesas antioxidantes, nomeadamente através das vitaminas C; E; Q10; e ácido alfalipoico, para além da necessidade imperiosa de formar uma boa dose de glutatião – podem usar o Whey e a N-acetilcisteina (NAC).

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