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Dr. Luís Romariz

Aumento da longevidade e rejuvenescimento

Dr. Luís Romariz

Aumento da longevidade e rejuvenescimento

Sex | 09.04.10

Cara Ana Maria

Dr. Luís Romariz
Exmo Sr. Dr. Luís Romariz

Em primeiro lugar gostaria de o louvar pelo óptimo trabalho que tem vindo a realizar junto de todos os cidadãos quer em revistas quer no seu blog que tenho prazer em ler e estudar.

 

Sou Ana Maria , lic. em sociologia, 54 anos de idade, professora de profissão e entusiasta pela área de saúde,  bem-estar e Anti-envelhecimento. Neste momento gostaria de lhe colocar a seguinte questão:

A  esposa de meu pai, de 67 anos, desde 2003, que tem corrido médicos e hospitais por se encontrar muito doente com bolhas e feridas em todo o corpo, inclusivamente dentro e fora da boca. Só agora, chegaram à conclusão de que se tratava de Eritema Polimorfos Major. Esteve internada no hospital de Santarém entre 10 e 29 do passado mês de Março, data em que teve alta, embora continue sem estar melhor…

 

Gostaria que me desse indicações sobre a doença, formas de tratamento (ouvi dizer que a acupunctura era boa), suplementos e/ou outros que considere, assim como a que especialidade médica ou médico nos podemos dirigir. Meu pai, de 83 anos, e esposa residem em Tomar e eu na Charneca de Caparica. Estou longe e não os consigo ajudar mais, pois estou em casa por ter sofrido um acidente em serviço.

Desde já os meus agradecimentos e desejos dos maiores sucessos pessoais e profissionais

Ana ....

 

O eritema polimorfo é uma síndrome reactiva devida a causas variadas: infecções, alergias aos medicamentos e a alimentos, reacção ao frio. V. Stevens-Johnson (síndrome de), Sweet (síndrome de). Desta forma, pode nunca vir a ser possível determinar a sua causa.
De qualquer forma, eu apostaria no sistema da eliminação começando pelos medicamentos e efectuando um teste de intolerância alimentar (pode contactar o laboratório do Dr. David Santos em Lisboa).
Há análises, nomeadamente Ig, cortisol, DHEA, e Ácido Araquidónicoque nos podem dar pistas acerca da reactividade.
Apostaria numa alimentação completamente livre de glúten, suplementada com ómega-3 e Biogaia (veja posts sobre estes últimos).
Quanto à acupuntura, parece-me pouco provável que tenha qualquer efeito. 
Mais, só com a doente em consulta e todos os dados da história clínica e exame físico, bem como todas as análises.

Sex | 09.04.10

A PROPAGANDA DOS NÚMEROS PARA LEVAR A PRESCREVER ESTATINAS A PESSOAS SAUDÁVEIS

Dr. Luís Romariz

O medicamento para baixar o colesterol – Crestor – promove actualmente esta estatina em pessoas saudáveis com elevada proteína C reactiva (PCR) no intuito de reduzir (55%) o risco de inflamação conducente a um risco de ataque cardíaco. Parece um milagre; pena que não passe de propaganda descarada!

O estudo de suporte a esta aprovação encontrou de facto uma redução de 55% no risco de ataque cardíaco – numa população com pequeníssimo risco de ataques cardíacos, para principiar. Se bem que estes resultados sejam estatisticamente significativos, não são clínica e economicamente relevantes. Significam que seria necessário tratar durante um ano 500 pessoas com o Crestor para evitar um ataque cardíaco NÂO fatal. O preço total para prevenir apenas um caso é incomportável quer para as bolsas do estado quer para as dos pacientes. Em “Português”: tome Crestor durante um ano, conjuntamente com mais 499 pessoas e habilite-se à prevenção de um ataque cardíaco não fatal. Pouco, não?

É fácil baixar a PCR com o exercício e com nutrição adequada, incluindo vitamina C e E. Por que haveremos de gastar uma pipa de massa com uma droga perigosa quando há opções melhores? Mais, conforme tenho dito as estatinas pouca ou nenhuma acção têm sobre o tipo de colesterol que causa doença – o LDL padrão B. Apenas a AstraZeneca é que sairá a ganhar com isto. Podem crer que os médicos vão ser “massacrados” nos próximos tempos com este estudo e com a “necessidade” de prescrever Crestor…!

Qui | 08.04.10

SEXUALIDADE SAUDÁVEL — EM QUALQUER IDADE!

Dr. Luís Romariz

Nenhum homem ou mulher acima dos 50 anos deve provar que a sua vida sexual é igual à dos 20 anos. Talvez seja melhor, talvez seja pior. Certamente será diferente!

À medida que o corpo muda com a idade, também a sexualidade vai mudando. Esta transformação física inclui o declínio nos níveis hormonais quer masculinos quer femininos, bem como alterações neurológicas e alterações do fluxo sanguíneo. Estas alterações conduzem frequentemente a uma variedade de problemas como a disfunção eréctil ou secura vaginal, alterações estas que dificultam imenso as relações sexuais. Estão agora disponíveis terapias que minimizam ou resolvem estas condições.

A aparência também se altera com a idade, algumas vezes acarretando uma perda na auto-estima e confiança na arena sexual. Mas não significam o fim vida sexual para a maioria dos seniores.

Quer os problemas físicos, quer os psicológicos são capazes de interferir numa boa relação. Algumas vezes eles interligam-se, causando inibição quer na comunicação quer no desempenho. No entanto as terapias ao nosso dispor podem melhorar, se não curar a maioria dos sintomas físicos e uma boa parte dos psíquicos. Uma boa conversa, nem que seja com mediação, pode resolver alguns dos problemas de relacionamento e alguns truques conhecidos podem aumentar a nossa auto-estima e capacidade de atracção em relação ao sexo oposto.

Pense no que a tornava atractiva quando era jovem. Os olhos, o sorriso, ou outra coisa? Há todas as hipóteses para que essas qualidades ainda estejam latentes e só precisem de um empurrão para serem reactivadas. Tente também dirigir a sua atenção para a capacidade de dar e receber prazer com a relação sexual.

Independentemente de tudo, uma má auto-estima pode destruir uma vida a dois. Corrija os seus erros fazendo uma alimentação saudável, um programa de exercício físico capaz de melhorar a sua aparência e de lhe fazer aumentar a confiança. Actualmente vemos muitas pessoas bem adultas com aparelhos de correcção dentária. Estão completamente certas, nunca é tarde para melhorar!

Muitas das alterações físicas têm origem nos ciclos endócrinos notando-se a sua repercussão nos órgãos sexuais e na sexualidade. Na actualidade, a terapia de substituição hormonal bioidêntica é capaz de reparar os problemas provocados quer pela menopausa quer pela andropausa, restaurando a maioria da capacidade de desempenho sexual, aparência e vigor.

 

Qua | 07.04.10

A NATUREZA VICIANTE DA ALIMENTAÇÃO EMOCIONAL

Dr. Luís Romariz

Há alguma diferença entre alimentação emocional e toxicodependência? A resposta, no que concerne aos circuitos cerebrais, é não. Ambos os problemas têm a ver com os circuitos cerebrais responsáveis pela recompensa. O prazer é necessário à vida e também é necessário para haver vício.

O último estudo a pôr a nu a natureza viciante da comida vem do The Scripps Research Institute. A pesquisa teve em conta múltiplos aspectos do problema e demonstrou que havia um elo entre a alimentação emocional e a dependência.

Primeiro, os investigadores demonstraram que os que tinham pleno acesso a alimentos gordos altamente apetitosos rapidamente aumentavam de peso. À medida que ganhavam peso os seus circuitos cerebrais mudavam de forma a elevar o limite do prazer. Isto significa que eles comiam mais e mais para obter o mesmo prazer e a sensação de saciedade. Estas alterações nos circuitos do prazer são idênticas às que ocorrem com a dependência da heroína.

Curiosamente, ao privar deste tipo de alimentos eles comiam bem menos – significando que não havia prazer suficiente na alimentação normal. Eles passavam a perder peso, pelo que a questão é: Poderão eles alterar o padrão viciante e manter uma alimentação saudável ou o carácter viciante predomina?

Muitas pessoas com excesso de peso ou obesas continuam a comer excessivamente sabendo perfeitamente das suas consequências negativas para a saúde. Tais pessoas tipicamente desejam comer menos mas consommé constantemente mais do que necessitam. Este tipo de padrão alimentar está desligado da dor da actividade em questão, o que é característico duma dependência.

Usar a nutrição para restabelecer os circuitos cerebrais, exercício consistente, trabalhar com as mãos, melhorar a resposta ao stress, e um dose extra de força de vontade é quase tudo o que é necessário para sair deste atoleiro. O resto tem a ver com a eventual medicação para a questão do vício. De facto, não podemos negar ajuda às pessoas com excesso de peso ou obesidade e que têm algum grau de comportamento viciante. O segredo está em saber prescrever a medicação adequada pelo tempo mínimo eficaz de forma a minimizar quaisquer efeitos secundários, o que normalmente demora um mês. Ao contrário do álcool e das drogas é necessário algum prazer a partir dos alimentos por uma questão de sobrevivência. É fácil culpar as pessoas obesas, mas o difícil é reconhecer que sofrem de uma doença e conseguir ajudá-las.

 

Ter | 06.04.10

AVALIAR E PREVENIR A OSTEOPOROSE

Dr. Luís Romariz

Devido à sua natureza lenta e insidiosa, a osteopose é um desafio para a sua prevenção e tratamento. É uma das patologias mais fáceis de prevenir, no entanto é das mais problemáticas a enfrentar uma vez instalada. A perda de massa óssea começa décadas antes das primeiras fracturas. A chave para a prevenção e terapia não passa pelos bifosfonatos os quais são medicamentos extremamente agressivos e pouco eficazes. O número de mulheres osteoporóticas está a aumentar exponencialmente, pelo que se torna um “pitéu” para o apetite voraz da indústria farmacêutica. Na generalidade todas as mulheres deveriam:

Tomar Vitamina D (eventualmente Cálcio) diariamente: Procurar obter níveis séricos maiores do que 50 ng/ml. Para a maioria dos doentes significa 1000 a 2000 UI por dia.

Efectuar diariamente exercícios de força:

Não só para fortalecer os músculos, mas também para melhorar a coordenação motora e o equilíbrio.

Entrar num programa de prevenção de quedas:

Não é a osteoporose que provoca a incapacidade, mas sim as quedas e as fracturas. Os doentes e as suas famílias devem aprender a maneira de minimizar este problema.

Evitar o álcool e o tabaco: O fumo acelera a perda de massa óssea, e o álcool reduz a coordenação e o equilíbrio.

Lembre-se que nas mulheres, contrariamente à corrente vigente, o que na realidade causa mais perda de massa óssea é o deficit de progesterona. Fale com o seu médico e equacione entrar num programa de substituição hormonal com hormonas bioidênticas.

Seg | 05.04.10

ALTERAÇOES DURANTE A MENOPAUSA AUMENTAM O RISCO DE ENFARTE OU A.V.C.

Dr. Luís Romariz

Quando as mulheres chegam à menopausa, elas pensam em explosões de calores súbitos, suores nocturnos, alterações hormonais e do humor. Mas quanto a doença cardíaca? IOs estudos mostram que o risco feminina para doença cardiovascular se intensifica drasticamente pela altura da menopausa, a qual na maioria das mulheres é à volta dos 50 anos. Isto pode ser surpreendente, mas os peritos explicam que entender os factores de risco é um primeiro passo importantíssimo, e asseguram às mulheres que há maneiras de baixar o risco de doença cardiovascular.

"Muitas mulheres abaixo dos 50 anos ainda não entraram na menopausa pelo que ainda  têm  níveis elevados de estrogénios, os quais se pensa protegerem o coração. Após a menopausa, contudo, os níveis de estrogénios declinam significativamente o que pode contribuir para o aumento do risco de doença cardiovascular," explica a Drª Vera Rigolin, directora do Center for Women's Cardiovascular Health in the Bluhm Cardiovascular Institute of Northwestern Memorial Hospital.

O aumento de peso é outro factor a ter em conta no risco cardiovascular após a menopausa. A manutenção do peso torna-se muitas vezes uma tarefa difícil quando acontecem alterações hormonais. Os quilos extra podem ser um fardo a ter em conta no sedentarismo, tensão arterial, diabetes e colesterol – parâmetros associados ao risco cardiovascular.

Detectar doença cardíaca nas mulheres pode ser mais complicado, mas devemos ter em conta sintomas como fadiga, náusea, ligeira dificuldade em respirar, dor no queixo e desconforto geral no peito ou abdómen. Muitas mulheres podem minimizar o seu risco cardíaco se tiverem um estilo de vida saudável e optimizarem as suas hormonas através da harmonização hormonal bioidêntica.

Dom | 04.04.10

COELHO DA PÁSCOA

Dr. Luís Romariz

 

Mesmo a tempo da Páscoa. Um estudo observacional sobre consumo de chocolate, tensão arterial e risco de AVC efectuado pelo European Prospective Investigation into Cancer & Nutrition (EPIC) em Potsdam, Alemanha, envolveu 19.000 pacientes – entre os 48 e 49 anos – durante 8 anos.

Para lá das medições habituais como a altura, peso, TA, consumo de tabaco e álcool, exercício, hábitos nutricionais, etc., os autores questionaram especificamente sobre o consumo de chocolate. Surpreendentemente, mais de 92% da população consumia diariamente algum chocolate. Quando distribuídos por quartéis, havia uma diferença de 6 gramas entre os do topo e os que menos consumiam.

As boas notícias para o “coelho da Páscoa”, bem como para nós, é que o consumo de chocolate foi associado a uma menor tensão arterial e mais importante, a um menor risco de AVC e enfarte do miocárdio. E afinal quanto era o máximo de consumo? Apenas 7.5 gramas, ou seja, um quadrado…!

Dom | 04.04.10

PROTECÇÃO SOLAR (pela Drª. Isabel Figueira)

Dr. Luís Romariz

Se a exposição solar excessiva tem sido conclusivamente relacionada com algumas formas de cancro de pele e sinais de envelhecimento precoce, a foto sensibilidade e as insolações, também são reconhecidas como um factor indispensável para a produção de vitamina D, como terapia para algumas patologias como a psoriase e dermatites e como uma acção antidepressiva por ser estimulante e proporcionar aumento do bom humor.

Porém, essa exposição deve ser acompanhada de cuidados e responsabilidades.

Então, sabendo dos riscos e benefícios da luz solar, é preciso saber como e quando se proteger - Alem do uso de roupas e acessórios adequados, como chapéu e óculos com lentes anti-UV, antes de elaborar qualquer protocolo de tratamento anti-aging, é preciso haver consciência para o uso de protectores solares.

Os protectores solares que têm representado uma estratégia um pouco controversa. Contudo, recentes estudos prospectivos demonstram que, se usados de forma correcta, representam a principal ferramenta anti-aging.

De notar que a preocupação com a exposição solar deve ir além da ocorrência de queimadura. Uma queimadura de sol deve-se a uma dose excessiva de radiação UVB. Essa radiação liberta mediadores bioquímicos, que se difundem nos vasos sanguíneos e causam dilatação, edema e proliferação da célula basal. Uma queimadura solar não é portanto um sinal de aviso, mas, ao contrário, o sinal de dano à pele. Depois de cada queimadura, a pele remove as células danificadas através da esfoliação, em extensão dependente do grau de dano causado. A lesão celular crónica inclui envelhecimento da pele e cancro de pele. As queimaduras solares, sobretudo se ocorrem durante a juventude, constituem um dos factores de risco classicamente implicados no desenvolvimento do melanoma.

A radiação solar é composta por raios ultravioleta A (UVA) e raios ultravioleta B (UVB).

Os UVA ao penetrarem mais profundamente na pele que os UVB, agem indirectamente criando radicais livres de oxigénio, danificando a pele sem despertar a sua sensibilidade. São responsáveis pela pigmentação e apresentam 2 componentes: pigmentação imediata (IPD), que ocorre poucas horas após a exposição e pigmentação retardada (PPD), evidente alguns dias mais tarde. Os UVB é que afectam a epiderme, dando origem às queimaduras solares, sendo durante alguns anos o factor primariamente apontado como estando na origem do tumor, sendo as consequências perceptíveis só a longo prazo. Os primeiros protectores protegiam apenas contra os UVB. A aplicação desses filtros permitia maiores tempos de exposição solar, uma vez que quem os usava “não se queimava” tão facilmente, conduzindo por outro lado a uma exposição maciça, incontrolada e “silenciosa” à radiação UVA durante vários anos...

Este efeito, aliado ao facto de os UVA serem 20 vezes mais abundantes na natureza que os UVB, possuindo a capacidade de atravessar superfícies vidradas e sendo pouco afectados pela latitude, altitude ou pelas condições atmosféricas, conduziu, de acordo com alguns estudos, a um aumento paradoxal da incidência de melanoma em indivíduos que aplicavam regularmente protectores solares. Assim, uma protecção eficiente deve, além de proteger a pele contra as queimaduras e os melanomas (UVB), proteger a pele dos principais sinais do envelhecimento cutâneo, tais como perda de elasticidade, flacidez e discromias (UVA).

 

A foto protecção faz-se de forma natural pela pigmentação adquirida, pelo espessamento da camada córnea e pela produção do ácido urocanico (suor); e de forma artificial através dos protectores solares.

O aconselhamento de um protector solar apropriado em função do tipo de pele e intensidade da radiação é desde 2006/2007 mais fácil devido implementação do sistema europeu de uniformização da etiquetagem, que obrigou as marcas a exibir rótulos mais informativos, nomeadamente quanto às precauções e riscos associados à exposição solar e a inclusão de instruções claras quanto ao modo de utilização. Por outro lado, tiveram que deixar de conter designações erróneas como «ecrã total» ou «protecção total». Para que os protectores contenham uma protecção efectiva contra os danos solares, a Comissão Europeia defende que todas as fórmulas, sem excepção, devem proteger não só contra os raios UVB como também contra os raios UVA e que deve revelar uma protecção UVB-UVA balanceada por uma razão mínima ou igual a 3 (etiquetada com o logo “UVA”). De salientar que a maioria dos fabricantes de protectores solares de prescrição médica disponíveis no mercado português, já respeitam actualmente este princípio da “proporcionalidade”, ao igualarem os índices de protecção contra os UVA e UVB nos seus produtos.

Por definição, um protector solar é uma preparação destinada a entrar em contacto com a pele humana, com o intuito exclusivo ou principal de protecção contra a radiação UV, absorvendo, dispersando ou reflectindo a radiação;

Na escolha do protector solar a utilizar à vários factores a ter em conta, entre os quais, a sua composição e a sua reologia.

Há três tipos de filtros solares: os "físicos", os "químicos", os "naturais"

Os físicos (como o dióxido de titânio, o óxido de zinco ou uma combinação de ambos), muitas vezes chamados de bloqueadores solares, funcionam como reflectores - São substâncias insolúveis que formam uma camada protectora branca sobre a pele. Ao serem impermeáveis são considerados toxicologicamente seguros. São indicados preferencialmente para aumentar o desempenho das formulações, especialmente as destinadas para peles sensíveis e infantis

Os químicos são moléculas aromáticas conjugadas com um grupo carbonil altamente reactivas. São sem duvida mais activos que os químicos. Quando a luz UV atinge uma dessas moléculas, causa excitação fotoquímica, e é estimulada para um nível mais alto de energia. Quando a molécula volta ao estado original, o excesso de energia absorvida é emitido como luz num estado de energia mais baixo e calor. Como a absorção da radiação solar por parte dessas moléculas diminui conforme o tempo de exposição, a reaplicação dessa formulação após 1,5 horas de exposição torna-se necessária. Uma boa molécula absorvente deve ser quimicamente estável, toxicologicamente segura e também apresentar largo espectro de acção. Cada molécula actua de forma diferente na absorção de radiação em comprimentos de onda específicos. Num mesmo produto estão geralmente associados mais do que um agente químico, para aumentar o poder de protecção. A incidência de alergias desencadeadas pelo uso de filtros solares com agentes químicos advém do número de associações e pela necessidade de aumentar a quantidade de agentes químicos nas formulações. A benzofenona tem sido particularmente apontada como desencadeadora de reacções alérgicas, não se sabendo a quantidade que é absorvida na corrente sanguínea, mas traços da substância podem ser encontrados na urina após o uso.

Recentemente, tem havido um aumento de atenção em relação à possibilidade de efeitos de saúde adversos associados aos compostos químicos presentes nos filtros solares. Há vários estudos que apontam nesse sentido, como o artigo do Dr.Kerry Hanson, que conclui que os filtros podem causar mais danos que benefícios e que quando penetram na pele podem reagir com a luz e causar danificar a sua camada inferior, e alem disso, contêm absorventes de UV que podem gerar compostos nocivos que atacam as células da pele. Outros apontam para a toxicidade estrogenica dos filtros químicos e a sua presença na urina. O principal risco é pelo facto de que os estrogeneos químicos são capazes de minimizar a actividade hormonal de um estrogeneo real, e quando no organismo, os receptores reconhecem o estrogeneo químico como estrogeneo, de forma que os resultados podem ser a feminização dos tecidos. Outros ainda relatam que os maiores riscos de melanoma ocorreram nas regiões onde o uso de filtro solar era mais prevalente, independentemente da exposição ao UV.

No anexo VII da directiva de cosmética europeia estão inscritos na lista positiva 26 filtros químicos, que passaram por todos os testes de tolerância e segurança impostos, alem de provarem não passar a barreira cutânea.

Os naturais (extracto de camomila, de aloé vera, óleo de coco, …) por si só não asseguram uma protecção solar adequada, mas podem e devem ser incorporados na formulação do filtro, assim como os capturadores de radicais livres (vitamina E, betacaroteno, flavenoides, NAC, Q10, gingko biloba, …), que vão proteger as moléculas biológicas dos efeitos dos raios UVA em particular.

 

A associação de anti-inflamatórios é perigosa, uma vez que diminui o eritema, podendo haver tendência para uma exposição maior. Estes devem-se reservar aos produtos pós-solares.

 

O outro aspecto a ter em conta é o tipo de veículo empregue na sua formulação.

Os óleos são a forma mais simples de aplicar filtros solares. Apresentam como principal vantagem serem resistentes à água, mas, devido à sua fluidez, formam camadas finas e transparentes, o que reduz a eficácia do produto como bloqueador. Além disso, esteticamente falando, podem dar uma sensação gordurosa e desagradável. São normalmente usados como bronzeadores (com FPS mínimos).

As emulsões (leites, espumas e cremes) são o veículo mais comum e uma das melhores formas devido à sua versatilidade. Proporciona uma excelente película foto protectora e tem uma conotação elegante. As emulsões agua em óleo apresentam um alto poder de protecção.

Os géis devem estar reservados aos cosméticos para homens. Apresentam como principal vantagem a sua transparência e aspecto exclusivos. No entanto, há grandes desvantagens que limitam o seu uso, tais como não serem resistentes à água e não oferecerem películas uniformes E serem muito dessecantes.

 

Mesmo com formulações quimicamente estabilizadas e comprovadamente funcionais, é importante relembrar aspectos muito importantes como a quantidade de produto a usar - 2mg/cm2 - se assumirmos um adulto com 1,65 m e 70kg, ele necessitaria de 30g para cobrir sua área corporal não coberta; deve aplicar uma película espessa e reaplicar especialmente se há um mergulho ou sudorese.

 

Protecção anti-UVB

Factor SPF Sun Protection Factor
O FPS é uma medida laboratorial imperfeita do dano à pele que indica a efectividade do filtro solar baseada na avaliação da Minimal Erythemal Dose (MED) “in vivo”, usando uma quantidade estandardizada de protector solar: 2 mg/cm2, não fornecendo informação sobre a atenuação dos raios UVA . O SPF não deve ser interpretado como “nº minutos a mais ao sol” ou “um protector n vezes mais poderoso”. Indica apenas a capacidade que o protector solar tem para proteger das queimaduras solares. Por considerar que não servem o objectivo de clareza exigido, a Comissão Europeia propôs a substituição dos índices numéricos pelas categorias «fraca», «média», «alta» e «muito alta». Os dermatologistas garantem que vale a pena investir nos factores de protecção mais altos, mesmo que as diferenças de protecção não sejam muito grandes – a título de exemplo, o FPS 15 filtra 93,3% da radiação ultravioleta B, enquanto o FPS 30 filtra 96,7%. Mesmo não sendo possível alcançar uma protecção de 100%, quanto mais altos forem os valores, maior o espectro de protecção.

Protecção anti-UVA

PPD é um método estável e reprodutível avaliando a atenuação UVA de um protector solar, que avalia o escurecimento da pele induzido por uma lâmpada UVA medindo a dose mais pequena capaz de induzir pigmentação da pele após 2 horas (Minimal Pigmentary Dose - MPD). Este fenómeno (Meirowsky) consiste num escurecimento da pele transitório imediatamente após a exposição aos UVA, como uma ligeira coloração cutânea cinzento-acastanhada, desaparecendo progressivamente e estabilizando depois de 2 horas. O mecanismo deste processo é pouco conhecido, estando provavelmente relacionado com uma reorganização espacial dos melanossomas nos queratinócitos e uma foto-oxidação da melanina pré-existente. Os valores de SPF e de PPD são diferentes para o mesmo protector solar, por exemplo: um protector solar de protecção muito elevada poderá ter um SPF de 50 e um PPD de 25 (o SPF mede a atenuação de uma queimadura solar e o PPD mede a atenuação do escurecimento da pele). No entanto, um bom balanço SPF – PPD deve reflectir uma atenuação perfeita de ambos os UVB e UVA. A razão europeia SPF/PPD implementada é de < 3. Esta indica uma boa protecção UVB-UVA e está etiquetada nos tubos dos protectores solares com o logo "UVA".

IPD é um método em tudo idêntico ao PPD, com a diferença no tempo de leitura, que é 2 minutos. É um método pouco utilizado por apresentar variação nos resultados.

Comprimento de onda crítico (c)) A Comunidade Europeia considerou que o SPF e o PPD não são suficientemente precisos na informação sobre a qualidade dos protectores solares em proteger contra as radiações UVA longas, razão pela qual o comprimento de onda crítico começou a fazer parte dos itens de etiquetagem recomendados a partir de 2007. O c) avalia a absorção dos UVAS longos pelolcomprimento de onda crítico. Deve ser igual ou inferior a 370 nm.

 

A melhor proteção contra o UVA é provida por produtos que contêm óxido de zinco, avobenzona e mexoryl®. Dióxido de titânio provavelmente provê boa protecção, mas não cobre todo espectro do UVA.

Activos de filtro solar permitidos pela FDA:

(Esta publicação é da autoria da Dr.ª. Isabel Figueira)

Sab | 03.04.10

A CONVERSÃO DO CAROTENO

Dr. Luís Romariz

Um tema recorrente é a destruição do mito de que o conteúdo dos frutos e vegetais em caroteno pode fornecer a necessidade celular em vitamina A. A enzima responsável por esta conversão do beta–caroteno em vitamina A é a beta-caroteno 15,15’-monoxgenase (BCOM1). Cientistas da Universidade de Newcastle descobriram que cerca de 50% das mulheres têm uma variação genética que reduz a sua capacidade para converter o beta-caroteno. “A vitamina A é incrivelmente importante.. . ,” disse o Dr. Georg Lietz, que participou no estudo. “Ela incrementa o sistema imune e reduz o risco de inflamação. A investigação mostrou que muitas mulheres simplesmente não obtêm o suficiente deste nutriente vital porque os seus organismos não têm a capacidade de converter o beta-caroteno em vitamina A.” Infelizmente, isto é mais preocupante nas jovens pois as mais velhas tendem a comer mais ovos, leite e fígado, naturalmente ricos em vitamina A.

A preocupação quanto à suplementação com vitamina A advém de estudos que apontam para um aumento do risco de cancro do pulmão em fumadores que tomam esta vitamina, e também pelo facto doses mais elevadas da vitamina  A competirem com a vitamina D

Sex | 02.04.10

EFEITOS DO CHÁ VERDE SOBRE AS “GORDURINHAS”

Dr. Luís Romariz

O chá verde é uma boa fonte de polifenois (antioxidantes), nomeadamente de epigalocatequina galato (EGCG) a qual é a forma mais activa das catequinas do chá verde responsável pela acção antioxidante, anti-inflamatória e metabólica do chã verde. Uma recente meta-análise (um estudo sobre os estudos) sobre o impacto do chá verde na perda de peso, pôs a descoberto que os chás mais ricos em cafeína produziam melhores resultados, resultados que foram estatisticamente significativos na redução do peso, no índice de massa corporal, e no perímetro da cintura.

Num estudo aleatório, controlado, e contra placebo os adultos moderadamente obesos consumiram 1900 mg de catequinas (não confundir com 1900 mg de chá) por dia durante 3 meses. O chá também continha 400 mg de cafeína. No final do estudo o grupo a tomar chá verde perdeu uma média de 1.5 quilos e 2.5 centímetros de cintura, ao mesmo tempo que via o seu IMC diminuído. Nada mal considerando que não foram alterados nem a alimentação nem o exercício.  Num estudo hospitalar com 60 doentes e a 12 semanas a perda média de peso cifrou-se em 10 quilos – 3 refeições diárias preparadas pelo hospital. Os investigadores demonstraram que as perdas eram devidas ao aumento no dispêndio de energia e na oxidação das gorduras.

Um estudo publicado este mês no American Journal of Clinical Nutrition mostra que uma combinação de chá verde, resveratrol, vitamina E, vitamina C, omega-3, e extracto de tomate, fornecido a homens obesos durante 5 semanas, elevou a sua adiponectina – é necessária uma adequada produção para prevenir a resistência à insulina e a diabetes tipo 2 – em cerca de 7%. Os investigadores documentaram várias alterações metabólicas favoráveis, como modulação da inflamação dentro do tecido adipose, melhoria da função endotelial das artérias, aumento do poder antioxidante, e aumento do gasto de gordura pelo fígado.

Sabemos bem que o sobrepeso ou a obesidade estão associados a um aumento da inflamação celular, quer dentro do tecido adiposo quer sistémica. A ECGC é capaz de produzir um efeito anti-inflamatório quer através da modulação los globules broncos T, quer através da modulação do NF-kappaB, o primeiro sinal genético da inflamação. O chá verde também demonstrou ser capaz de incrementar o processo pelo qual as as células de gordura transformam as calorias em calor (UCPs), o que dá muito jeito para nos podermos ver livres do excesso. O chá verde optimiza a leptina, hormona produzida pelas células de gordura que informa o cérebro de que devemos abolir o apetite e aumentar o gasto de energia.

O chá verde é consumido em todo o mundo. Os suplementos nutricionais que concentram os seus princípios activos fornecem novas ferramentas para optimizar o nosso metabolismo. O chá verde é sinérgico com vários nutrientes e está na linha da frente no combate à obesidade.

Comam inteligentemente, "reguem" com chá verde, e tenham uma boa Páscoa.

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