Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Dr. Luís Romariz

Aumento da longevidade e rejuvenescimento

Dr. Luís Romariz

Aumento da longevidade e rejuvenescimento

Dom | 06.12.09

AÇÚCAR BAIXA A LONGEVIDADE

Dr. Luís Romariz

Se os vermes servirem para qualquer indicação, então o açúcar da sua alimentação pode falar mais alto do que a obesidade e a diabetes tipo 2. Cientistas revelaram na edição de Novembro da revista Rese Cell Metabolism que ele pode tirar anos de vida.  

Ao adicionar uma pequena quantidade de glicose à “dieta” do verme C. elegans, eles descobriram que os vermes perdem 20% da sua longevidade. Eles conotaram este efeito à insulina, a qual pode bloquear moléculas responsáveis pela longevidade.  
Embora estes achados tenham sido observados em vermes, Cynthia Kenyon da Universidade da Califórnia, S. Francisco diz que há muitas semelhanças entre os humanos e os vermes em relação à sinalização da insulina. Uma alimentação em que se prescinda dos hidratos de carbono de médio/alto índice glicémico, cortando principalmente nos amidos e sobremesas, pode afastar imediatamente este problema. Esta descoberta foi efectuada há vários anos, mas só agora é que foi publicada. Isto só vem reafirmar o que tenho dito sobre a restrição calórica nutricionalmente equilibrada e o aumento da longevidade humana.
Qua | 02.12.09

BETAGLICANOS

Dr. Luís Romariz

No que toca a aumentar naturalmente a imunidade optimizando a resposta à doença e às infecções, os betaglicanos (polissacáridos de D-glicose) são armas cruciais. Mas dado que o nosso corpo não produz estes compostos, a única maneira de os obter é através da alimentação — nomeadamente o fermento de padeiro, os cogumelos, a aveia e o arroz.

Após 150 anos de pesquisa, os estudos mostram que os betaglicanos actuam como agentes imuno-moduladores, significando que despoletam uma cascata de eventos que ajudam a regular o sistema imune, tornando-o mais eficiente. Especificamente, os betaglicanos estimulam a actividade dos macrófagos, que são células imunes muito versáteis capazes de ingerir e destruir os microrganismos invasores e de estimular outras células imunes a fazer o mesmo. Os macrófagos também libertam citoquinas, químicos que emitem a comunicação entre as células imunes. Adicionalmente, eles estimulam as células sanguíneas letais (linfócitos) que atacam tumores ou vírus, libertando químicos para os destruir.
Sem dúvida que já ouvimos falar dos benefícios cardíacos associados a uma dieta que inclua aveia. Isto deve-se em parte ao facto da aveia ser uma óptima fonte de betaglicanos os quais ajudam imenso a baixar o colesterol LDL, o “mau” colesterol. Por sua vez, os betaglicanos dos cogumelos – lentinanos – restabelecem o equilíbrio imune capaz de atacar os tumores sólidos. É sabido que estes compostos ajudam a combater a diarreia por E. Coli e Estafilococos Aureus.
Em resumo, embora não haja uma arma mágica para eliminar as doenças, a pesquisa mostra que adicionar betaglicanos á nossa alimentação pode significar uma tremenda ajuda para a nossa saúde, nomeadamente no combate ao cancro. “Os Betaglicanos têm sido usados como terapia imuno-adjuvante no combate ao cancro desde 1980, especialmente no Japão.”
Ter | 01.12.09

ÓMEGA-3; ASPIRINA; RESOLVINAS E PROTECTINAS

Dr. Luís Romariz

Estaremos a combater o inimigo errado em relação à doença cardíaca? E se infecções bacterianas simples e comuns se revelassem como actor principal na génese desta patologia? Esta teoria parece ridícula, considerando o fervor com que temos encarado a diminuição dos “colesteróis” para evitar os ataques cardíacos. Mas um artigo publicado na JAMA (Vol. 281 pp 427-431) demonstra que a utilização de tetraciclina promove uma significativa diminuição da taxa (30%) de um primeiro ataque cardíaco na população em geral. Esta correlação só foi observada com este antibiótico, o qual é tratamento de 1ª linha para a Clamídia. A razão para relação entre a doença e esta bactéria pode estar associada a potencial inflamação cardíaca. Há crescente evidência na literatura médica a ligar o processo inflamatório à possibilidade de doença cardíaca. Isto dá-nos outra razão para entendermos porque é que a aspirina é tão eficaz a prevenir os ataques cardíacos – a sua acção anti-inflamatória. Confirmando-se o elo bacteriano, teremos de reavaliar todas as teorias sobre a génese dos ataques cardíacos.

Nos últimos 20 anos, estudo após estudo não obtivemos a prova que demonstrasse uma ligação entre a longevidade em geral e níveis diminuídos de colesterol. Tudo isso mudou com a entrada em cena das estatinas desenhadas como “balas mágicas” para abater a síntese do colesterol. Mas aparentemente é o efeito anti-inflamatório destes medicamentos o responsável pela longevidade aumentada. Os níveis da proteína C reactiva (um biomarcador da inflamação celular) estão diminuídos nos que tomam estatinas, o que parece indicar – conforme tenho escrito nos últimos anos – que a doença coronária é mais de causa inflamatória do que por causa do colesterol.

Ora há um medicamento que também é capaz de baixar a inflamação – a aspirina – mas que não interfere nos níveis de colesterol. Actualmente sabemos que pequeníssimas doses de aspirina associadas à suplementação com óleo de peixe, são capazes de gerar substancias altamente benéficas em relação ao processo inflamatório celular –  resolvinas e protectinas. 

Pág. 2/2