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Dr. Luís Romariz

Aumento da longevidade e rejuvenescimento

Dr. Luís Romariz

Aumento da longevidade e rejuvenescimento

Dom | 04.04.10

PROTECÇÃO SOLAR (pela Drª. Isabel Figueira)

Dr. Luís Romariz

Se a exposição solar excessiva tem sido conclusivamente relacionada com algumas formas de cancro de pele e sinais de envelhecimento precoce, a foto sensibilidade e as insolações, também são reconhecidas como um factor indispensável para a produção de vitamina D, como terapia para algumas patologias como a psoriase e dermatites e como uma acção antidepressiva por ser estimulante e proporcionar aumento do bom humor.

Porém, essa exposição deve ser acompanhada de cuidados e responsabilidades.

Então, sabendo dos riscos e benefícios da luz solar, é preciso saber como e quando se proteger - Alem do uso de roupas e acessórios adequados, como chapéu e óculos com lentes anti-UV, antes de elaborar qualquer protocolo de tratamento anti-aging, é preciso haver consciência para o uso de protectores solares.

Os protectores solares que têm representado uma estratégia um pouco controversa. Contudo, recentes estudos prospectivos demonstram que, se usados de forma correcta, representam a principal ferramenta anti-aging.

De notar que a preocupação com a exposição solar deve ir além da ocorrência de queimadura. Uma queimadura de sol deve-se a uma dose excessiva de radiação UVB. Essa radiação liberta mediadores bioquímicos, que se difundem nos vasos sanguíneos e causam dilatação, edema e proliferação da célula basal. Uma queimadura solar não é portanto um sinal de aviso, mas, ao contrário, o sinal de dano à pele. Depois de cada queimadura, a pele remove as células danificadas através da esfoliação, em extensão dependente do grau de dano causado. A lesão celular crónica inclui envelhecimento da pele e cancro de pele. As queimaduras solares, sobretudo se ocorrem durante a juventude, constituem um dos factores de risco classicamente implicados no desenvolvimento do melanoma.

A radiação solar é composta por raios ultravioleta A (UVA) e raios ultravioleta B (UVB).

Os UVA ao penetrarem mais profundamente na pele que os UVB, agem indirectamente criando radicais livres de oxigénio, danificando a pele sem despertar a sua sensibilidade. São responsáveis pela pigmentação e apresentam 2 componentes: pigmentação imediata (IPD), que ocorre poucas horas após a exposição e pigmentação retardada (PPD), evidente alguns dias mais tarde. Os UVB é que afectam a epiderme, dando origem às queimaduras solares, sendo durante alguns anos o factor primariamente apontado como estando na origem do tumor, sendo as consequências perceptíveis só a longo prazo. Os primeiros protectores protegiam apenas contra os UVB. A aplicação desses filtros permitia maiores tempos de exposição solar, uma vez que quem os usava “não se queimava” tão facilmente, conduzindo por outro lado a uma exposição maciça, incontrolada e “silenciosa” à radiação UVA durante vários anos...

Este efeito, aliado ao facto de os UVA serem 20 vezes mais abundantes na natureza que os UVB, possuindo a capacidade de atravessar superfícies vidradas e sendo pouco afectados pela latitude, altitude ou pelas condições atmosféricas, conduziu, de acordo com alguns estudos, a um aumento paradoxal da incidência de melanoma em indivíduos que aplicavam regularmente protectores solares. Assim, uma protecção eficiente deve, além de proteger a pele contra as queimaduras e os melanomas (UVB), proteger a pele dos principais sinais do envelhecimento cutâneo, tais como perda de elasticidade, flacidez e discromias (UVA).

 

A foto protecção faz-se de forma natural pela pigmentação adquirida, pelo espessamento da camada córnea e pela produção do ácido urocanico (suor); e de forma artificial através dos protectores solares.

O aconselhamento de um protector solar apropriado em função do tipo de pele e intensidade da radiação é desde 2006/2007 mais fácil devido implementação do sistema europeu de uniformização da etiquetagem, que obrigou as marcas a exibir rótulos mais informativos, nomeadamente quanto às precauções e riscos associados à exposição solar e a inclusão de instruções claras quanto ao modo de utilização. Por outro lado, tiveram que deixar de conter designações erróneas como «ecrã total» ou «protecção total». Para que os protectores contenham uma protecção efectiva contra os danos solares, a Comissão Europeia defende que todas as fórmulas, sem excepção, devem proteger não só contra os raios UVB como também contra os raios UVA e que deve revelar uma protecção UVB-UVA balanceada por uma razão mínima ou igual a 3 (etiquetada com o logo “UVA”). De salientar que a maioria dos fabricantes de protectores solares de prescrição médica disponíveis no mercado português, já respeitam actualmente este princípio da “proporcionalidade”, ao igualarem os índices de protecção contra os UVA e UVB nos seus produtos.

Por definição, um protector solar é uma preparação destinada a entrar em contacto com a pele humana, com o intuito exclusivo ou principal de protecção contra a radiação UV, absorvendo, dispersando ou reflectindo a radiação;

Na escolha do protector solar a utilizar à vários factores a ter em conta, entre os quais, a sua composição e a sua reologia.

Há três tipos de filtros solares: os "físicos", os "químicos", os "naturais"

Os físicos (como o dióxido de titânio, o óxido de zinco ou uma combinação de ambos), muitas vezes chamados de bloqueadores solares, funcionam como reflectores - São substâncias insolúveis que formam uma camada protectora branca sobre a pele. Ao serem impermeáveis são considerados toxicologicamente seguros. São indicados preferencialmente para aumentar o desempenho das formulações, especialmente as destinadas para peles sensíveis e infantis

Os químicos são moléculas aromáticas conjugadas com um grupo carbonil altamente reactivas. São sem duvida mais activos que os químicos. Quando a luz UV atinge uma dessas moléculas, causa excitação fotoquímica, e é estimulada para um nível mais alto de energia. Quando a molécula volta ao estado original, o excesso de energia absorvida é emitido como luz num estado de energia mais baixo e calor. Como a absorção da radiação solar por parte dessas moléculas diminui conforme o tempo de exposição, a reaplicação dessa formulação após 1,5 horas de exposição torna-se necessária. Uma boa molécula absorvente deve ser quimicamente estável, toxicologicamente segura e também apresentar largo espectro de acção. Cada molécula actua de forma diferente na absorção de radiação em comprimentos de onda específicos. Num mesmo produto estão geralmente associados mais do que um agente químico, para aumentar o poder de protecção. A incidência de alergias desencadeadas pelo uso de filtros solares com agentes químicos advém do número de associações e pela necessidade de aumentar a quantidade de agentes químicos nas formulações. A benzofenona tem sido particularmente apontada como desencadeadora de reacções alérgicas, não se sabendo a quantidade que é absorvida na corrente sanguínea, mas traços da substância podem ser encontrados na urina após o uso.

Recentemente, tem havido um aumento de atenção em relação à possibilidade de efeitos de saúde adversos associados aos compostos químicos presentes nos filtros solares. Há vários estudos que apontam nesse sentido, como o artigo do Dr.Kerry Hanson, que conclui que os filtros podem causar mais danos que benefícios e que quando penetram na pele podem reagir com a luz e causar danificar a sua camada inferior, e alem disso, contêm absorventes de UV que podem gerar compostos nocivos que atacam as células da pele. Outros apontam para a toxicidade estrogenica dos filtros químicos e a sua presença na urina. O principal risco é pelo facto de que os estrogeneos químicos são capazes de minimizar a actividade hormonal de um estrogeneo real, e quando no organismo, os receptores reconhecem o estrogeneo químico como estrogeneo, de forma que os resultados podem ser a feminização dos tecidos. Outros ainda relatam que os maiores riscos de melanoma ocorreram nas regiões onde o uso de filtro solar era mais prevalente, independentemente da exposição ao UV.

No anexo VII da directiva de cosmética europeia estão inscritos na lista positiva 26 filtros químicos, que passaram por todos os testes de tolerância e segurança impostos, alem de provarem não passar a barreira cutânea.

Os naturais (extracto de camomila, de aloé vera, óleo de coco, …) por si só não asseguram uma protecção solar adequada, mas podem e devem ser incorporados na formulação do filtro, assim como os capturadores de radicais livres (vitamina E, betacaroteno, flavenoides, NAC, Q10, gingko biloba, …), que vão proteger as moléculas biológicas dos efeitos dos raios UVA em particular.

 

A associação de anti-inflamatórios é perigosa, uma vez que diminui o eritema, podendo haver tendência para uma exposição maior. Estes devem-se reservar aos produtos pós-solares.

 

O outro aspecto a ter em conta é o tipo de veículo empregue na sua formulação.

Os óleos são a forma mais simples de aplicar filtros solares. Apresentam como principal vantagem serem resistentes à água, mas, devido à sua fluidez, formam camadas finas e transparentes, o que reduz a eficácia do produto como bloqueador. Além disso, esteticamente falando, podem dar uma sensação gordurosa e desagradável. São normalmente usados como bronzeadores (com FPS mínimos).

As emulsões (leites, espumas e cremes) são o veículo mais comum e uma das melhores formas devido à sua versatilidade. Proporciona uma excelente película foto protectora e tem uma conotação elegante. As emulsões agua em óleo apresentam um alto poder de protecção.

Os géis devem estar reservados aos cosméticos para homens. Apresentam como principal vantagem a sua transparência e aspecto exclusivos. No entanto, há grandes desvantagens que limitam o seu uso, tais como não serem resistentes à água e não oferecerem películas uniformes E serem muito dessecantes.

 

Mesmo com formulações quimicamente estabilizadas e comprovadamente funcionais, é importante relembrar aspectos muito importantes como a quantidade de produto a usar - 2mg/cm2 - se assumirmos um adulto com 1,65 m e 70kg, ele necessitaria de 30g para cobrir sua área corporal não coberta; deve aplicar uma película espessa e reaplicar especialmente se há um mergulho ou sudorese.

 

Protecção anti-UVB

Factor SPF Sun Protection Factor
O FPS é uma medida laboratorial imperfeita do dano à pele que indica a efectividade do filtro solar baseada na avaliação da Minimal Erythemal Dose (MED) “in vivo”, usando uma quantidade estandardizada de protector solar: 2 mg/cm2, não fornecendo informação sobre a atenuação dos raios UVA . O SPF não deve ser interpretado como “nº minutos a mais ao sol” ou “um protector n vezes mais poderoso”. Indica apenas a capacidade que o protector solar tem para proteger das queimaduras solares. Por considerar que não servem o objectivo de clareza exigido, a Comissão Europeia propôs a substituição dos índices numéricos pelas categorias «fraca», «média», «alta» e «muito alta». Os dermatologistas garantem que vale a pena investir nos factores de protecção mais altos, mesmo que as diferenças de protecção não sejam muito grandes – a título de exemplo, o FPS 15 filtra 93,3% da radiação ultravioleta B, enquanto o FPS 30 filtra 96,7%. Mesmo não sendo possível alcançar uma protecção de 100%, quanto mais altos forem os valores, maior o espectro de protecção.

Protecção anti-UVA

PPD é um método estável e reprodutível avaliando a atenuação UVA de um protector solar, que avalia o escurecimento da pele induzido por uma lâmpada UVA medindo a dose mais pequena capaz de induzir pigmentação da pele após 2 horas (Minimal Pigmentary Dose - MPD). Este fenómeno (Meirowsky) consiste num escurecimento da pele transitório imediatamente após a exposição aos UVA, como uma ligeira coloração cutânea cinzento-acastanhada, desaparecendo progressivamente e estabilizando depois de 2 horas. O mecanismo deste processo é pouco conhecido, estando provavelmente relacionado com uma reorganização espacial dos melanossomas nos queratinócitos e uma foto-oxidação da melanina pré-existente. Os valores de SPF e de PPD são diferentes para o mesmo protector solar, por exemplo: um protector solar de protecção muito elevada poderá ter um SPF de 50 e um PPD de 25 (o SPF mede a atenuação de uma queimadura solar e o PPD mede a atenuação do escurecimento da pele). No entanto, um bom balanço SPF – PPD deve reflectir uma atenuação perfeita de ambos os UVB e UVA. A razão europeia SPF/PPD implementada é de < 3. Esta indica uma boa protecção UVB-UVA e está etiquetada nos tubos dos protectores solares com o logo "UVA".

IPD é um método em tudo idêntico ao PPD, com a diferença no tempo de leitura, que é 2 minutos. É um método pouco utilizado por apresentar variação nos resultados.

Comprimento de onda crítico (c)) A Comunidade Europeia considerou que o SPF e o PPD não são suficientemente precisos na informação sobre a qualidade dos protectores solares em proteger contra as radiações UVA longas, razão pela qual o comprimento de onda crítico começou a fazer parte dos itens de etiquetagem recomendados a partir de 2007. O c) avalia a absorção dos UVAS longos pelolcomprimento de onda crítico. Deve ser igual ou inferior a 370 nm.

 

A melhor proteção contra o UVA é provida por produtos que contêm óxido de zinco, avobenzona e mexoryl®. Dióxido de titânio provavelmente provê boa protecção, mas não cobre todo espectro do UVA.

Activos de filtro solar permitidos pela FDA:

(Esta publicação é da autoria da Dr.ª. Isabel Figueira)

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