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Dr. Luís Romariz

Aumento da longevidade e rejuvenescimento

Dr. Luís Romariz

Aumento da longevidade e rejuvenescimento

Ter | 08.12.09

SERÁ QUE O COLESTEROL ELEVADO CAUSA DOENÇA CARDÍACA? Resumo de uma entrevista com o Dr. Uffe Ravnskov

Dr. Luís Romariz

Este cientista, que trabalhou em vários departamentos médicos na Dinamarca e na Suécia iniciou a sua carreira académica no departamento de nefrologia do Hospital Universitário de Lund, e sempre suspeitou da teoria em que o colesterol é a génese da aterosclerose, desde o seu início. As notas em itálico são da responsabilidade do autor deste blogue. Pouco tempo após (1962) a sua licenciatura em medicina ele tomou conhecimento desta pretensa ligação, mas o facto de ainda ter muito presentes os seus conhecimentos em bioquímica levou-o a desconfiar desta causalidade pois o colesterol é uma das moléculas mais importantes do nosso organismo, e indispensável para a formação das células e para a produção de hormona sexuais e anti-stress, bem como para a formação de vitamina D.

A grande questão é: se a teoria do colesterol estiver errada será que as suas terapias são desnecessárias? Absolutamente. Segundo o Dr.Ravnskov, estes tratamentos são desnecessários e insignificantes, dispendiosos, e transformaram milhares de pessoas saudáveis em potenciais doentes. O benefício das estatinas é trivial, e apenas foram observados nos homens que já tiveram um evento cardíaco. Mais, os seus efeitos secundários são ignorados ou habilmente depreciados, sendo que pesquisadores independentes encontraram efeitos secundários mais graves e em maior número. Se eles tiverem razão isso significa que há milhões de pessoas saudáveis que consideram as suas dores musculares, a sua má memória, a sua falência sexual, e o cancro como consequência do envelhecimento, pensando os seus médicos o mesmo. O risco de cancro é alarmante. Quer os estudos epidemiológicos, quer os estudos em animais mostram que o colesterol diminuído predispõe a cancro. Aliás, a curva da mortalidade atribuível ao colesterol é uma curva em jota, decrescendo até determinado limite e aumentando com os valores baixos de colesterol. O uso generalizado de estatinas explica em parte porque é que não se assistiu a uma diminuição na mortalidade por cancro, após a diminuição do hábito de fumar.

As companhias farmacêuticas comercializam agressivamente as estatinas e nas maiores doses possíveis. Por exemplo, o Zarator é levado à sua dose limite de 80 mg mas leva a mais efeitos adversos e a um custo incomportável. No estudo SEAS, a mortalidade não se alterou, mas houve um aumento estatisticamente significativo no número de cancros. Pior foram os resultados do estudo ENHANCE, no qual a aterosclerose em doentes com hipercolesterolemia familiar progrediu mais entre os que tiveram o colesterol mais diminuído. Vejamos, considerando a idade e a existência de um ataque cardíaco prévio, a expectativa de sobrevivência a cinco anos é de 90%. Tomando uma estatina diariamente esta aumenta para 92% - irrelevante – mas expõe a graves efeitos adversos. Um em cada 72 homens que tomem estatinas durante cinco anos, terá o benefício de evitar um evento cardíaco - que até pode não ser fatal – o que convenhamos é muito pouco.

Na Suécia há uma “revolução” em curso. Uma médica de família tratou a sua própria obesidade com uma dieta baixa em hidratos de carbono e elevada em gordura animal. Quando sugeriu esta dieta a uma paciente sua foi processada por má prática médica. Após dois anos e uma longa investigação, ela foi ilibada das acusações por se considerar que agiu de acordo com a evidência científica. O que é facto é que os médicos têm medo, especialmente nos grupos de risco, de não prescreverem estatinas e poderem ser processados. Estranhamente não é o sonho que comanda a vida, mas sim o medo!

Mas não é tudo. Sachdeva et al relataram que o colesterol médio em 137.000 pacientes com enfarte agudo do miocárdio era menor que o normal. Poucos meses depois Al-Mallah et al relataram que a mortalidade era o dobro entre os que tinham o menor colesterol.

Recentemente peritos da WHO e da FAO revelaram que não há evidência que a gordura saturada provoque doença cardíaca, diabetes ou obesidade. Aliás, o contrário seria muito estranho pois temos consumido gordura animal durante os milhões de anos da nossa evolução e ainda cá andamos!

A própria indústria farmacêutica está espantada com os resultados e começa a atribuir os sucessos parciais à possível acção anti-inflamatória das estatinas. Diga-se que estes fármacos baixam imenso a coenzima Q10 que é crucial para os músculos e para o coração. A MSD está a desenvolver uma vitamina B3 sem reacção de vasodilatação, pois está cada vez mais provado que essa é a melhor estratégia para normalizar as lipoproteinas. 

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